Oito medidas para aumentar os investimentos em infraestrutura no Brasil

O investimento em infraestrutura – público e privado – em 2022 foi de 1,86% do PIB e deve se manter em 2023, ou mais próximo de 1,94% caso o governo federal execute o previsto na PEC de Transição. Esse nível permanece claramente insuficiente para impulsionar a economia e reduzir a desigualdade, ampliando o acesso e a qualidade dos serviços   de forma a e garantir maior resiliência às mudanças climáticas, segundo o economista Claudio Frischtak , sócio gestor da Inter.B Consultoria.

Entre as causas da estagnação dos investimentos no setor, o economista cita falhas na governança dos investimentos públicos, agravadas pelo processo orçamentário e emendas pouco transparentes. Outros fatores que impedem o avanço da infraestrutura no país: permanecem elevadas a insegurança jurídica e a imprevisibilidade regulatória, esta última acirrada por uma politização crescente das indicações das agências e a consequente ampliação do risco regulatório. Além disso, assinala Frischtak , existe uma incerteza sobre os efeitos da nova âncora fiscal , elevando o custo de capital e pressionando o custo de financiamento com prêmios de risco.

Ele projeta que a modernização da infraestrutura brasileira demandará um aumento nos investimentos público  de 0,6% para estimados 0,9% do PIB ao longo do quadriênio, e investimentos privados de 1% para ao menos 2,8% do PIB nos próximos anos, com ganhos almejados  – no âmbito privado – de 0,2% do PIB ao ano.
De acordo com o economista, o país necessita prioritariamente mobilizar mais recursos privados, inclusive externos e melhorar a governança dos investimentos públicos.  Para tanto, é necessário:

1) Tornar o investimento em infraestrutura uma política de Estado e garantir sua melhor governança.

2) Ampliar de forma responsável e com racionalidade econômica os investimentos públicos.

3)  Seguir critérios que dizem respeito ao impacto sobre a redução da desigualdade e da pobreza, e sustentabilidade socioambiental e descarbonização.

4) Garantir maior segurança jurídica para os investimentos privados, com maior clareza, transparência, estabilidade e obediência às regras e sua aplicação.

5) Aprimorar a regulação do setor, reforçando o papel das agências , protegendo-as da interferência política.

6) Ampliar a participação dos mercados de capitais no financiamento de projetos de infraestrutura, como Project Finance .

7) Fortalecer o papel do BNDES como estruturador de projetos de infraestrutura.

8)  O PPI  (Programa de Parcerias de Investimentos)  deve ser mantido;  cumpre função relevante de interlocução, coordenação e informação sobre os projetos de infraestrutura.

 

 

 

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Threads

Últimas Notícias

Descarbonização e inovação na infraestrutura

Joelson Sampaio Num cenário global cada vez mais pressionado pelos efeitos das mudanças climáticas, a transição para uma economia de baixo carbono tornou-se prioridade na agenda dos projetos de infraestrutura. A descarbonização, entendida como o processo de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e de outros gases de efeito estufa, também tem ocupado a agenda do campo da infraestrutura. Integrar a descarbonização aos projetos de infraestrutura não é apenas uma necessidade ambiental, mas também uma oportunidade para impulsionar

Leia Mais »

Brasil pode ganhar um ciclo contínuo de expansão da malha ferroviária

Por José Serra O Brasil vive uma oportunidade rara de reorganizar sua infraestrutura logística, com base numa visão de Estado e em instrumentos inovadores de financiamento. A recente Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, primeira da história, representa diretrizes que vão além do setor de transportes: trata-se de uma peçachave para uma reconfiguração estratégica do modelo de desenvolvimento econômico nacional. Ao reduzir custos logísticos, integrar regiões produtivas e ampliar a competitividade do país nas cadeias globais do comércio, as ferrovias operam

Leia Mais »

Prorrogação da concessão da Rumo : Codesul busca tempo para proposta regional da Malha Sul

A posição defendida pelos quatro estados que compõem o Codesul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul) sobre a renovação da concessão ferroviária da Rumo é de oposição à renovação imediata e de busca por uma prorrogação temporária e condicionada. Foi o que informou à Modal o secretário-adjunto  da Secretaria de Logística e Transportes (RS) Clóvis Magalhães. Segundo Magalhães, o Codesul, por meio dos seus governadores, não externou veto total à permanência da operação, mas

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Descarbonização e inovação na infraestrutura

Joelson Sampaio Num cenário global cada vez mais pressionado pelos efeitos das mudanças climáticas, a transição para uma economia de baixo carbono tornou-se prioridade na agenda dos projetos de infraestrutura. A descarbonização, entendida como o processo de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e de outros gases de efeito estufa, também tem ocupado a agenda do campo da infraestrutura. Integrar a descarbonização aos projetos de infraestrutura não é apenas uma necessidade ambiental, mas também uma oportunidade para impulsionar

Leia Mais »

Brasil pode ganhar um ciclo contínuo de expansão da malha ferroviária

Por José Serra O Brasil vive uma oportunidade rara de reorganizar sua infraestrutura logística, com base numa visão de Estado e em instrumentos inovadores de financiamento. A recente Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, primeira da história, representa diretrizes que vão além do setor de transportes: trata-se de uma peçachave para uma reconfiguração estratégica do modelo de desenvolvimento econômico nacional. Ao reduzir custos logísticos, integrar regiões produtivas e ampliar a competitividade do país nas cadeias globais do comércio, as ferrovias operam

Leia Mais »

Prorrogação da concessão da Rumo : Codesul busca tempo para proposta regional da Malha Sul

A posição defendida pelos quatro estados que compõem o Codesul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul) sobre a renovação da concessão ferroviária da Rumo é de oposição à renovação imediata e de busca por uma prorrogação temporária e condicionada. Foi o que informou à Modal o secretário-adjunto  da Secretaria de Logística e Transportes (RS) Clóvis Magalhães. Segundo Magalhães, o Codesul, por meio dos seus governadores, não externou veto total à permanência da operação, mas

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Sua marca entre os principais players da logística nacional

A Revista Modal oferece espaços publicitários e oportunidades de parceria para empresas que desejam se destacar no setor.

Entre em contato e solicite nosso Mídia Kit.