Pandemia do covid-19 não segura avanço da energia eólica no mercado livre

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Nem mesmo a pandemia do covid-19 arrefeceu o ânimo dos investidores no mercado livre de energia eólica. Dados da ABBeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica) indicam que nas últimas semanas as consultas se intensificaram. Na mesma movimentação cresceram as buscas de informações  sobre o mercado de autoprodução de energia. “Os empresários querem entender melhor como funciona esse mercado e quais as suas vantagens”, contou à MODAL Sandro Yamamoto, diretor técnico da ABBeólica.

Ele lembrou que a Honda é a pioneira no mercado de autoprodução, no Brasil, com a instalação de um parque eólico localizado em Xangri-Lá, no litoral norte do Rio Grande do Sul, de 27,7 MW, e que, com a construção  de um décimo aerogerador, elevará a sua capacidade para 31,7 MW. “Mesmo com a pandemia, essa tendência deve se intensificar na esteira do mercado livre que oferece ainda vários modelos de contratos, seja por venda direta e com maior ou menor prazo”, acrescentou.

Yamamoto indicou que o avanço das eólicas vem se mantendo constante, no Brasil, desde 2018. Hoje representa um total de 16 GW instalados  (5ª posição no ranking mundial em 2019), com 1.84 GW no segmento do mercado livre e os demais no mercado regulado. Nos próximos quatro anos, outros 8 GW  devem entrar em operação no mercado livre e 4,3 GW do mercado regulado, totalizando 12,3 GW, com investimentos de cerca de R$ 50 bilhões.

“Fato importante é que 80% da cadeia setorial de energia eólica são produzidos no Brasil correspondendo a mais de 250 mil empregos”, acrescentou Yamamoto.

De acordo com a consultoria epowerBay, nos últimos anos o Brasil vem passando por um período de transformação no mercado de energia renovável que sempre foi baseado em leilões de energia para suprir a demanda das concessionárias. O ano de 2019 foi determinante para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), onde claramente as empresas começaram a apostar nos contratos bilaterais, com negociação livre entre o consumidor, comercializador e gerador de energia.

“Os benefícios econômicos para os consumidores de energia estão fazendo muitas empresas buscarem contratos bilaterais, que representam 30% do consumo total de energia no país”, diz o CEO da consultoria, Fernando Witzel.

O levantamento da ePowerBay mostra que recentemente a Casa dos Ventos anunciou a venda de energia para algumas grandes empresas como Vale S.A, Anglo American, Vulcabras e Tivit de projetos eólicos do Rio Grande do Norte e Bahia de mais de 650 MW de potência total.  A empresa negociou energia com a empresa Vale S.A com contrato de 23 anos de  fornecimento, existindo a possibilidade da Vale virar sócia do empreendimento futuramente. O complexo é composto pelos projetos Ventos de São Januário 20, Ventos de São Januário 21 e Ventos de São Januário 22, e se conectam no barramento de 230 kV da SE Senhor do Bonfim II.

Já a AES Tietê negociou 76 MW de energia com a Anglo American referentes ao
complexo eólico Tucano na Bahia, composto por 13 projetos com 477,4 MW de capacidade instalada total e TUST média de 6,29 R$/kW. Com o valor de fator de capacidade de cada projeto na ficha de dados da Aneel, segundo a consultoria, é possível estimar a garantia física equivalente do cluster: 267,8 MW médios. Os projetos estão conectados na SE Olindina 500 kV e operam com turbinas Siemens Gamesa de 6,2 MW de potência unitárias, rotor de 170 metros de diâmetro e torres de 115 metros de altura.

Outro importante contrato foi celebrado pela Voltalia que negociou energia do complexo eólico Ventos da Serra do Mel 1 (VSM1) com a BRF, com fornecimento de energia por 10 anos a partir de 2021 Complexo Ventos da Serra do Mel 1 no RN composto por cinco projetos com 162,9 MW de capacidade instalada total, fator de capacidade médio de 64,4% e TUST média de 8,71 R$/kW, informou a ePowerBay.

 

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