Pavimentação da BR-285/RS/SC é a primeira obra do país a contar com laboratório de ecologia móvel

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Laboratório/ Divulgação STE S.A.

A pavimentação da BR-285/RS/SC, de 30,438 quilômetros, entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, trecho que compreende a Serra da Rocinha, de 1.230 metros acima do nível do mar, é o primeiro empreendimento no país a contar com um laboratório de ecologia independente e móvel, sem vínculo direto com universidades ou órgãos públicos de pesquisa.

Bioindicadores
Responsável pela gestão ambiental das obras, a empresa gaúcha STE S.A. (Serviços Técnicos de Engenharia S.A.), de Canoas, investiu no projeto para atender o programa de monitoramento da fauna-bioindicadores, exigido pelo Ibama e voltado para qualificar e quantificar o grau de impacto do empreendimento sobre a área de influência da rodovia, por meio da utilização de macro invertebrados bentônicos.
Esses organismos aquáticos possuem hábito bentônico, isto é, que habitam o fundo de rios e lagos aderidos a pedras, cascalhos e folhas ou enterrados na lama ou areia e sensíveis à poluição ou degradação dos ecossistemas.

Monitoramento
O monitoramento ocorre em 16 pontos no Lote 2, em Timbé do Sul (SC), em áreas dos rios Serra Velha, Seco, Rocinha, Timbé e Molha Coco. Após a etapa de coleta em campo, são desenvolvidas as seguintes atividades em laboratório de ecologia próprio da STE S.A.: lavagem das amostras do leito dos rios, triagem e identificação. Com todos os organismos contabilizados e identificados, estudos estatísticos são feitos para obtenção das conclusões ecológicas.
“A obra da BR-285/RS/SC é a primeira que a STE utiliza-se de macro invertebrados bentônicos. Outros empreendimentos, no Brasil, já se utilizaram desses organismos por apresentarem um ótimo respaldo nas tomadas de decisões sobre a conservação do ecossistema, o que pode sinalizar uma tendência no monitoramento ambiental nas grandes construções”, assinala o coordenador da gestão ambiental da BR-285/RS/SC, Adriano Panazzolo.
As obras
As obras da BR-285/RS/SC foram divididas em dois lotes. No Lote 1, em São José dos Ausentes (RS), elas estão paralisadas e aguardam nova licitação. No trecho, de 8,376 quilômetros de traçado, com 400 metros de extensão, a principal obra de arte prevista é a ponte sobre o Rio das Antas, que também terá a função de passagem de fauna.
Já o Lote 2, em execução desde o final de 2016 pelo consórcio Setep-Ivaí-Sotepa, as obras ocorrem em Timbé do Sul, no extremo sul catarinense, num total de 22,062 quilômetros, incluindo a construção de duas pontes e quatro viadutos, implantação de um contorno na área urbana do município e a pavimentação da Serra da Rocinha.

Programas
Conforme Panazzolo, a gestão ambiental da obra engloba 24 programas assim relacionados: meio biótico, que envolve a fauna e a fora; meio físico, compreende o solo, as águas, o ar e o clima e o meio social, relativo ao homem e ao resultado das atividades humanas, presentes e futuras, no ambiente. “Dessa forma, trabalhamos para minimizar os impactos negativos e potencializar os positivos de uma obra quase sem similaridade do ponto de vista ambiental no país”, assinala. “Trata-se de uma das rodovias com um número de curvas acima da média no país e de uma subida íngreme de mil metros em rampa constante”.
A STE emite relatórios mensais sobre a execução e o andamento dos programas ambientais  para o Dnit e de forma semestral para o Ibama.

Serra do rio do Rastro
A rodovia  tem semelhanças com a da Serra do rio do Rastro, localizada no município de Lauro Muller (SC), de 1.421 metros de altura acima do nível do mar, que é considerada o maior cartão postal de Santa Catarina e pela revista Espanhola 20minutos.es como: “A Estrada Mais Espetacular do Mundo.”
A distância entre as serras da Rocinha e do rio do Rastro é de cerca de 90 quilômetros.

 

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