PELT-RS sinaliza que infraestrutura gaúcha precisa de R$ 24,3 bilhões de investimentos até 2039

Luiz Afonso Senna

Uma análise inicial do sistema logístico do estado, levando em conta a movimentação de bens e de mobilidade até 2039, indicou uma necessidade de investimentos de R$ 24,3 bilhões, dos quais R$ 14,5 bilhões em obras multimodais, e o restante de programas adicionais, a partir de novos gargalos provocados pelo incremento da economia.

Essas projeções fazem parte do Modelo de Transportes/ Avaliação dos Cenários, do Plano Estadual de Logística (PELT-RS), apresentado em 31 de outubro, em sua versão preliminar para o Conselho das entidades empresariais (Caepelt).  A partir das contribuições e referendos dessas entidades, será montado um novo documento. A fase seguinte prevê uma avaliação de custos e benefícios de todos os investimentos elencados. Com sugestões de obras prioritárias para o estado voltadas para a redução do custo logístico, o documento final deverá ser concluído até fevereiro de 2017.   Coordenador do PELT-RS, o professor Luiz Afonso Senna explicou que um dos diferenciais do Plano foi garantido pelo acesso à totalidade da mobilização de produtos do estado, com informações da Secretaria da Fazenda. A partir de agora, segundo ele, essas informações irão constituir uma base de dados permanente para o PELT-RS, que se utiliza do software TransCAD  para o geoprocessamento e  o planejamento de transportes.

Matriz modal
“A  partir dessas referências, a avaliação dos cenários  pode levar em conta os atuais e futuros gargalos a serem provocados pela demanda. Os investimentos, nessa linha, foram calculados de forma compatível com as necessidades.”

De acordo com Senna, mais do que nunca o Rio Grande do Sul precisa incentivar os investimentos multimodais. Desde a última pesquisa, elaborada pelo projeto Rumos 2015, o Rio Grande do Sul teve agravado a sua dependência do modal rodoviário. “Hoje a participação do modal rodoviário, na matriz de transportes do estado, é superior até mesmo à média do Brasil”, informou.  A última pesquisa sobre a matriz modal do RS, elaborada em 2005 pelo consórcio Booz-Allen, indicou uma participação de 85,3% do modal rodoviário; 8,8% do ferroviário,  3,7% do hidroviário e 2,2% dutoviário.

Cenário proposto
O cenário multimodal proposto pelo PELT-RS incluiu projetos previamente definidos como prioridade, com conclusão prevista para 2014;  de redução dos custos de frete ferroviário e hidroviário; projetos ferroviários e hidroviários de pequeno porte; de incentivo à mudança na matriz de transportes; implantação de projetos ferroviários e hidroviários de maior porte a partir de 2024, como a ferrovia Norte-Sul; terminais e ramais ferroviários e hidroviários e a hidrovia Brasil-Uruguai.

As projeções de demanda incluíram produtos industriais com cenário de mudança na economia e sem cenário de mudança; produtos  industriais de consumo, levando em conta o PIB/Per capita (2015-2039); produtos primários com cenários até 2039 e produtos primários em expansão, como por exemplo os complexos da soja e da madeira.

Curto prazo
O material apresentado não deixou de fora projetos de ferrovias, hidrovias e rodovias até 2019. Contudo, sem estimativas de investimentos os quais deverão fazer parte da versão final do PELT-RS. Entre essas propostas, para o modal ferroviário são mencionadas a remodelações de vários trechos e reforço estrutural do trecho Porto Alegre-Uruguaiana. No modal hidroviário, os projetos contemplam basicamente os investimentos em dragagens. E em rodovias são mencionadas ampliações na RS 118 e RS 509 e na BR 116, BR 392, BR 386 e BR 287.

“Todos os projetos apresentados às entidades empresariais levam em conta a necessidade da infraestrutura no estado do Rio Grande do Sul, independente da jurisdição estadual ou federal dos empreendimentos”, explicou Senna.

Recursos
Sobre as fontes de recursos necessárias para viabilizar os investimentos, o especialista esclareceu que o PELT-RS não cuidou desse aspecto, o que deve merecer análise dos governos federal e estadual. “Os empreendimentos tanto podem ser viabilizados por concessões ou PPPs (Parcerias Público-Privadas), como também por emendas de parlamentares”, sugeriu.  O PELT-RS está sendo viabilizado por meio de recursos do Banco Mundial, cujo contrato com o governo do estado foi assinado em meados de 2014. O consórcio responsável é formado pela STE, SD e Dynatest.

 

 

 

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