Por que atualmente, no Brasil, o setor público e o privado têm adotado uma sigla da língua inglesa, ESG, como referência de gestão e estratégia

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Valmor Alves (*)

Cada letra da sigla ESG tem uma relação direta com o termo sustentabilidade. Seja todo e qualquer negócio, empresa, ou organização para ser sustentável  deve,  no mínimo, tentar aplicar em suas respectivas administrações e estratégias os cuidados  com três áreas resumidas nas iniciais ESG: ambientais  (Environment), social (Social) e governança (Governance).

Há pouco tempo a responsabilidade dos gestores e diretores das empresas, era unicamente focada em resultados financeiros. O que vem ocorrendo, e de forma bastante acelerada, é que tanto os consumidores quanto eleitores e investidores estão cada vez mais atentos,  obtendo informações na velocidade da Internet.

Esse novo cidadão, cada vez mais e melhor informado, quer saber o que fazem com o seu dinheiro, seja com os impostos, lucros ou investimentos. Ou seja, a informação e conhecimento estão a cada dia mais acessíveis  para todos e em diversos tipos de plataformas. E como conhecimento é poder, os indivíduos usam as informações  para orientar como votar, suas compras e até investimentos, principalmente na bolsa de valores e mercado de ações.

A letra G de Governança está diretamente ligada ao governo, que em um primeiro momento pensamos nos estados, país e municípios. Mas é muito mais que isto. Definir diretrizes e resultados financeiros  é  a base mínima para todos os gestores. Visto que na vida do mundo corporativo, principalmente nas últimas décadas, todo e qualquer colaborador ou executivo assume compromissos, não só verbais, com  a ética. E sendo então a governança entendida como a busca contínua por sustentabilidade financeira com ética.

Sabemos que uma marca, um partido político, ou mesmo uma pessoa, não é avaliado apenas pela sua capacidade de fazer resultados financeiros positivos, mas também se tal riqueza seja produzida com ética. Para tal, surge uma questão maior que é o S, de Social, os cuidados com o social. Numa primeira instância remete diretamente para com o serviço público, que de fato é, mas não é o único. Empresas de sucesso têm uma visão correta e estratégica da importância de uma boa convivência colaborativa com a sociedade civil, onde produzem e, por vezes, vendem seus produtos.

A letra E, do ESG,  abarca tanto o S quanto o G, que é o Ambiental.  O meio ambiente, onde  vivemos, necessita ser saudável a todo os ser vivo, animais e vegetais. Portanto, maior que o bem-estar social e financeiro.

Vejamos alguns exemplos recentes de nosso país: a Petrobrás em sua política de preços, como monopólio estatal, aplicou uma sequência de reajustes  que muito elevou a arrecadação de impostos dos estados, por meio do ICMS. Como boa parte dos custos de produção dos combustíveis ocorre em reais,  mão de obra, energia elétrica, e os ativos usados para tal, na sua grande maioria já estão depreciados, sobra então a matéria prima, o petróleo. Mas a matéria prima, como na maioria dos produtos industrializados, é inferior a 50% do preço final ao consumidor. A priori, não se justifica acompanhar percentualmente o preço internacional da commodity. Olhando a questão ESG na Petrobras, Governance, resultado financeiro aos acionistas, estamos de acordo na questão Environment Mas, no social, acredito que penalizamos demais a sociedade civil em prol de lucros maiores.

No final do ano passado, a UHE Itaipu comemorou o resultado da meta de 24 milhões de árvores plantadas no entorno do lago no rio Paraná. Trata-se de  uma empresa que entende e pratica o ESG. Mesmo com algumas críticas, ou inveja, a UHE Itaipu vem incrementando trabalhos no S, Social. Além de seguir oferecendo formação tecnológica via  Parque Tecnológico Itaipu, aos jovens do Brasil, está investindo também em estradas e pontes na região oeste do Paraná.

Tivemos até recentemente a Vale ou sua subsidiária, envolvida em situações graves com a falta de cuidados com o ambiental,  como as barragens de contenção de rejeitos de minério de ferro. Provavelmente na intenção de maximizar os lucros, houve certamente grandes prejuízos para muitos, criando não apenas fortes impactos negativos ao meio ambiente, mas principalmente no social, com  famílias e comunidades penalizadas, não apenas financeiramente, mas com mortos e desaparecidos.

A tão almejada sustentabilidade das empresas e organizações governamentais buscam cada vez mais no ESG, uma linha de ações e estratégias integradas.

 

(*) Empresário

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