Portfólios de perfis diferenciados melhoram a competitividade do investidor no novo modelo do PLD, diz Yamamoto da ABBeólica

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Guilherme Sari e Sandro Yamamoto, da ABBeólica, em webinar do Sindienergia-RS

Entre as medidas de modernidades do setor elétrico brasileiro, a partir de janeiro de 2021 entrará em vigor um novo modelo de Preço de Liquidação da Diferença (PLD), de base horária, em substituição ao atual, que utiliza o PLD semanal como patamar. Isso significa que haverá uma maior tendência de que o preço horário alcance os maiores valores durante o dia. Assim,  a região sul do país, que possui uma quantidade maior de geração eólica nesse turno, poderá sair favorecida, em termos de atratividade de investimentos, em comparação ao nordeste, por exemplo, em que a maior incidência de ventos ocorre na madrugada.

Foi o que afirmou Sandro Yamamoto, diretor técnico da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABBEólica), em 10 de junho, no ciclo de webinars sobre as tendências das energias renováveis promovido pelo Sindienergia-RS.

Em conversa com Guilherme Sari, presidente do Sindienergia-RS, Yamamoto, admitiu que este será um dos desafios dos parques eólicos do nordeste. “Todavia, não será uma barreira, mas um desafio”, acrescentou. “A geração do sul tem predominância diária e isso é um ponto positivo para a região a ser observado a partir do ano que vem”.
Complementariedade

Sari observou que essa mudança do PLD mostra que cada vez mais a complementariedade entre regiões torna-se fundamental, inclusive para o investidor que analisa os riscos em seu portfólio. Ou seja, ele poderá ter uma atividade no nordeste, em que há geração definida em determinado horário, e poderá contar com outros horários em outras regiões. “Foi o que aconteceu agora: o sul enfrentou uma estiagem bastante severa e, em contrapartida, uma diminuição de ventos no nordeste, uma situação atípica. Para o investidor, que investiu em hídricas no sul e em eólicas no nordeste, é o momento de fazer uma revisão do portfólio, e isso começa a ser mais bem entendido”, acrescentou.

Disse Yamamoto: “Os investidores hoje levam esse tema muito a sério, porque quanto maior for o seu portfólio, com perfis diferentes, melhor a competitividade”. Ele continuou: “Se você é um gerador que possui um portfólio diversificado, vai conseguir atender a demanda e terá maiores oportunidades de negócios. Assim, essa parceria de regiões, do nordeste com sul, é um exemplo que mostra as vantagens que o Brasil detém no campo da geração de energia elétrica”, completou o executivo.

Mercado livre

Sobre as tendências do mercado livre mesmo  em tempos de pandemia do covid-19, Yamato disse que o segmento deverá continuar avançando. Ele lembrou que o setor estava acostumado com os leilões, devido a contratos de 20 anos, “o que ajuda muito na questão do financiamento”. Ocorre que em 2016,  quando o leilão de energia de reserva foi cancelado, o mercado parou  e pensou que era preciso investir mais no mercado livre, e isso foi viabilizado com a entrada de linhas de financiamento do BNDES. “Com o BNDES foi possível evoluir porque a barreira era o financiamento, na medida em que o mercado livre não oferecia contratos de longo prazo, apenas de curto prazo. O BNDES veio com uma nova regra,  o contribuiu para a evolução do mercado livre, junto com a vontade dos consumidores de comprarem energias renováveis”, disse Yamamoto, lembrando que somente nos anos de 2018 e 2019 foram comercializados no mercado livre 6 GW de energia eólica.

“Hoje, na ABBeólica, temos registros de 9 GW em projetos já viabilizados para serem construídos nos próximos quatro ou cinco anos e uma boa parte é para o mercado livre. Além disso, em outubro do ano passado o BNDES publicou uma regra aperfeiçoando ainda mais as linhas de financiamento, o que vai ajudar esse mercado la avançar”.

Em relação à retomada dos leilões regulares de energia, Yamamoto afirmou que irá depender da recuperação econômica do país que deverá encerrar o ano com PIB negativo. Ocorre que os leilões são para longo prazo, para quatro ou seis anos. Dependendo da conta que poderemos ter daqui a alguns meses, da sinalização das distribuidoras, seria possível programar um leilão para o final do ano. Daqui a dois ou três meses se poderá ter uma visão melhor, por enquanto está em aberto porque não depende do governo, mas do mercado, acrescentou.
Renováveis

Mesmo com a retração das atividades, Yamamoto expressou otimismo sobre a retomada dos investimentos em renováveis. “Existe uma baixa contratação este ano, mas somos confiantes de que as renováveis como as eólicas serão as responsáveis para segurar um pouco essa crise e ajudar a recuperação econômica com empregos”.

Sari aproveitou para indagar ao executivo como a ABBeólica avalia o setor de energia eólica offshore. Acrescentou que o Rio Grande do Sul  possui um diferencial de offshore que são as lagoas. Yamamoto informou que o Ibama ( Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis) deverá elaborar uma regulamentação para o setor. E que a Petrobras vem desenvolvendo uma planta piloto offshore. “É preciso investir em P& D para preparar o ambiente, na medida em que essa atividade não é trivial”, completou.

A uma pergunta de Sari sobre a questão ambiental e o timing dos investidores em energia eólica, os quais necessitam de processos mais rápidos, Yamamoto ponderou que a clareza dos órgãos ambientais em relação aos pedidos de licenciamento é fundamental. “Eles não têm preocupações com as exigências, mas se os técnicos desses órgãos puderem ajudar, os processos podem fluir de forma mais rápida. Por isso, a interação é um ponto chave”, sustentou.”
Logística

Na sequência, Sari indagou Yamamoto sobre os desafios logísticos a serem enfrentados no transporte da nova geração de turbinas eólicas acima de 4 MW. De acordo com o executivo da ABBeólica, os estados com estradas melhores e portos próximos apresentam diferenciais, segundo estudos desenvolvidos pela entidade, comparativamente entre as infraestruturas do nordeste e do sul. “Nesse particular, as condições logísticas do RS apresentam fatores positivos para receber essas novas cargas de turbina eólicas; em algumas regiões do nordeste, por exemplo, muitas estradas sequer  possuem pavimentação”, afirmou.

 

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