Presidente da ABBEólica acredita que investimentos em energia eólica no sul podem ser beneficiados com o avanço do mercado livre

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Elbia Gannoum, presidente da ABBeólica Foto/Divulgação

Em entrevista exclusiva a Modal-Energia, a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABBEólica), Elbia Silva Gannoum,  afirmou que com contratações maiores e mais frequentes, além do desenvolvimento do mercado livre, podem trazer mais espaço para os investimentos em energia eólica no sul.

Sobre a implantação de leilões regionais por fontes, o que é defendido por setores do Sul do país como forma de atrair mais investimentos para a região, Gannoum disse que esse ponto de vista precisaria estar muito bem fundamentado em dados técnicos que comprovem benefícios ao sistema como um todo. “O Sistema Interligado Nacional permite uma gestão eficiente das variadas fontes de energia que temos no Brasil, com suas complementariedades e intercâmbios entre as regiões”, argumenta. Acompanhe:
Como vê a questão relativa ao fim dos subsídios?  Como pretende encaminhar esse assunto com o MME?
Em 2017, quando houve uma primeira tentativa de retirada de subsídios, nós explicamos nosso ponto de vista: a retirada pode fazer sentido sim, desde que aconteça de forma igualitária para as fontes e seja discutida com todos os envolvidos. Em setembro do ano passado, publicamos artigos com nosso posicionamento, temos falado de forma muito aberta na mídia nosso posicionamento, que resumo a seguir. Acreditamos que a retirada dos descontos da TUSD e da TUST é possível desde que seja feita de forma igualitária entre todas as fontes renováveis incentivadas. É importante considerar que nos leilões as fontes não competem entre si. O preço de eólica só compete com as próprias eólicas, as PCHs com as PCHs e assim por diante. Essas tecnologias evoluíram ao longo dos últimos anos, achamos que a discussão sobre a retirada dos subsídios para todas as fontes é saudável.

Qual a sua opinião sobre a adoção de leilões regionais por fontes que vem sendo defendida por alguns setores?
O Sistema Interligado Nacional permite uma gestão eficiente das variadas fontes de energia que temos no Brasil, com suas complementariedades e intercâmbios entre as regiões. A realização de leilões regionais precisaria estar muito bem fundamentada em dados técnicos que comprovem que isso traria benefícios ao sistema como um todo. A ABEEólica está presente em todas as discussões importantes para o setor e, caso este tema venha a se colocar como uma pauta de fato, o assunto será estudado de forma mais profunda.

Qual a sua opinião sobre o avanço do nordeste no setor de energia eólica? Isso poderia gerar um desequilíbrio na oferta em âmbito nacional?  
Para analisar este ponto, é importante considerar que há questões de competitividade regional que podem sofrer alterações devido à influência humana e outros pontos que fazem parte das características regionais. O Nordeste tem um dos melhores ventos do mundo para energia eólica, o que traz uma vantagem competitiva natural. Mesmo se considerarmos o próprio Nordeste, veremos que a competitividade de algumas áreas é maior que outras por fatores naturais do vento que impactam o fator de capacidade. Há outros pontos, no entanto, que podem impactar a competitividade local, como é o caso de incentivos de governos para instalação de fábricas e existência de linhas transmissão. O Sul de fato enfrentou alguns problemas de transmissão que podem ter tido impacto na competitividade da região. Há que se considerar, também, que o setor como um todo passou por um período de estrangulamento de contratações, quando ficou praticamente dois anos sem leilão, com represamento de projetos. Quando os leilões foram retomados, em 2017, havia uma grande quantidade de projetos represados e a competitividade foi bastante elevada. Um cenário com contratações maiores e mais frequentes, além do desenvolvimento do mercado livre, podem trazer mais espaço para o sul.

O avanço do Nordeste nos leilões de energia eólica não pode causar um desequilíbrio no sistema?
No que se refere ao questionamento sobre um desequilíbrio em âmbito nacional, a avaliação tem que se dar pelo sistema como um todo, já que o Brasil é abastecido pelo SIN (Sistema Interligado Nacional). Neste sentido, tanto a geração no nordeste como no sul entram no SIN. Embora a tendência seja o consumo ocorrer o mais perto possível da geração, não tem como falarmos de desequilíbrio da oferta em âmbito nacional para avaliar o tema das contratações da energia eólica ou de quaisquer fontes. Em âmbito nacional, a avaliação se dá pela matriz e por quanto ocupa cada fonte, sendo que o governo tem por objetivo fazer a expansão da matriz contratando cada vez mais energias renováveis de baixo impacto. 

Como a entidade analisa a evolução da tecnologia eólica? Quais as maiores vantagens da nova tecnologia?

A tecnologia eólica vem evoluindo com geradores cada vez mais potentes e mais eficientes. Considerando que o vento brasileiro é um dos melhores do mundo para produção de energia eólica, com fatores de capacidade acima da média mundial, estas máquinas apresentam rendimentos ainda superiores no Brasil. Acreditamos que o caminho natural de evolução vai nos levar a produtividades ainda maiores por aerogerador. Temos que considerar, também, no caminho das novas tecnologias, a existência de parques híbridos ou parques com sistema de armazenamento.  Sobre as vantagens da energia eólica: a energia produzida pelos ventos é renovável; não polui; possui baixíssimo impacto ambiental; contribui para que o Brasil cumpra o Acordo do Clima; não emite CO2 em sua operação; tem um dos melhores custos benefícios na tarifa de energia; permite que os proprietários de terras onde estão os aerogeradores tenham outras atividades na mesma terra; gera renda por meio do pagamento de arrendamentos; promove a fixação do homem no campo com desenvolvimento sustentável e gera empregos que vão desde a fábrica até as regiões mais remotas onde estão os parques.

 

 

 

 

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