Provedores de internet mantêm crescimento apesar da crise

Amparado em um segmento de mercado em que a demanda é constante – US$ 29 bilhões é o gasto esperado no Brasil em 2019 para o acesso à Internet, segundo a PWC – os provedores do Rio Grande do Sul deverão fechar o ano com um incremento médio de 10% nas receitas em comparação ao ano anterior. “Neste ano, o número de clientes deve permanecer em evolução, embora com índices inferiores ao ano passado, quando tivemos uma evolução de 15% sobre 2014”, diz Luciano Franz, presidente da InternetSul, associação que reúne 169 provedores do estado.  Há 10 anos, quase 100% do faturamento dos provedores gaúchos advinha de acesso domiciliar em locais remotos. Em 2012, segundo pesquisa da entidade, 38% do faturamento do setor já eram provenientes do mercado corporativo. Além do acesso à internet, cada vez mais fazem parte do portfólio de serviços dos provedores locais  outras formas de comunicação, como telefone e acesso  a TV por assinatura.
Sucesso
 Com uma clientela que abrange mais de 95% dos municípios do estado  –  o trecho entre Porto Alegre e a Serra Gaúcha é o que reúne o maior número de provedores  – o setor é formado, em sua maioria, por “empreendedores que aprendem com o negócio”, explica Franz.    De acordo com o dirigente, em 2014 somente o BNDES repassou créditos de R$ 7 bilhões às operadoras de telecomunicações, enquanto que os provedores independentes foram obrigados a investir com recursos próprios  –  um quadro que se mantém até hoje.  “Todo o sucesso do nosso setor é devido ao próprio esforço de cada um e de recursos próprios”, explica. “Temos empreendedores que vendem seus carros e parte de seu patrimônio para investir em fibra óptica e em todos os equipamentos que fazem parte da atividade”, acrescenta. “Somos hoje os maiores compradores de fibra óptica do Brasil.”
Franquia
Sobre o limite  de franquia da Internet defendido pela Anatel, Franz, como consumidor, é radicalmente contra a medida da forma como foi proposta e lembra que além de acesso a conteúdo, vídeo e TV, ela permite o acesso à educação.  “Não posso conceber como indivíduo, cidadão e cliente uma Internet com franquia. Estou assistindo minha faculdade em EAD e minha Internet é cortada porque o professor deu aula demais. É o fim.”  Em contrapartida, Franz credita que as franquias, desde que usadas com respeito ao consumidor podem evitar abusos e venda ilegal de sinal de Internet. Podem reforçar a segurança da rede, evitando que golpistas contratem e revendam sinal pirata, além de proteger o investimento alto das empresas.
Mercado livre
A Internet Sul, segundo seu presidente, reivindica um mercado livre e competitivo de uma Internet de custo baixo e democrática. “Como entidade defendemos que o usuário tenha não apenas uma ou duas opções de acesso como é hoje, contra a escravidão  do consumidor a um monopólio privado de Telecom”, disse Franz em reunião do Grupo Temático de Telecomunicações (Gttel), do Conselho de Infraestrutura (Coinfra), da Fiergs.   “No momento em que o consumidor, que mora na capital e no interior, puder escolher em sua casa entre cinco ou dez prestadoras o plano e a empresa de melhor qualidade para seu nicho de mercado essa discussão sobre a franquia será desnecessária. Ela só existe porque o modelo brasileiro de concentração de empresas de Telecom, em um ou dois grupos, escraviza o consumidor. “

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