Com a implantação da Reforma Tributária batendo à porta em 2026, o setor logístico brasileiro entra em um período crítico de transição. A nova legislação, que introduz o modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), promete alterar profundamente desde o fluxo de caixa até a precificação de fretes. Para Vasco Oliveira, CEO e fundador da nstech, empresa de software para supply chain , a adaptação não é apenas uma questão contábil, mas de sobrevivência operacional.
O que muda na prática?
A transição para o IVA traz uma mudança de paradigma: a cobrança deixa de ser feita na origem e passa a ocorrer no destino. Para as empresas de transporte e logística, os impactos imediatos incluem: Documentação eletrônica: Necessidade de sistemas prontos para a nova sistemática de emissão de CT-e, NFS-e, NF-e e BP-e. Créditos e compensações: mudança radical no cálculo de créditos tributários. Fim de Incentivos: extinção de benefícios fiscais estaduais, o que pode forçar o redirecionamento de rotas e centros de distribuição. Carga Tributária: Em alguns serviços, a alíquota efetiva pode saltar de 4% para até 28%, exigindo uma gestão de caixa extremamente rigorosa a partir de 2027.
Para Oliveira, o maior erro das empresas no momento é subestimar a complexidade do processo. A nstech, que segundo a empresa atende cerca de 75 mil clientes, já começou a preparar o terreno. Recentemente, a Bsoft ,empresa do grupo focada em micro e pequenos transportadores, autorizou o primeiro CT-e em ambiente de homologação, antecipando-se às exigências regulatórias.
A recomendação para 2026 é clara: as empresas precisam de ferramentas que permitam simular cenários e comparar regimes de tributação em tempo real. “A preparação começa agora e vai até 2033. É fundamental construir uma base sólida, com dados fiscais consistentes e processos padronizados”, destaca Oliveira.
Oportunidade em meio ao desafio
Apesar do cenário de incertezas, a nstech enxerga a reforma como um catalisador para a modernização. O momento é visto como uma oportunidade única para renegociar contratos com fornecedores e revisar cláusulas comerciais.; automatizar processos financeiros e contábeis, reduzindo erros humanos, e educar o mercado sobre os novos direitos e deveres fiscais, diz Oliveira.


