“Sem política que viabilize uma fatia maior de PCHs nos leilões de energia, setor deixará de investir”, adverte Charles Lenzi, da Abragel

Charles Lenzi/Foto/ Divulgação

“Precisamos ter leilões que sinalizem aos empreendedores o fato de que existe interesse do governo de contratar as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Caso contrário, o setor vai minguar, os empreendedores deixarão de investir e o Brasil vai perder não somente investimentos, mas a tecnologia e o know how que se construíram ao longo dos últimos 100 anos”. Foi o que afirmou Charles Lenzi, presidente  da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), durante o seminário promovido pela Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs), na segunda-feira, dia 10 de junho.

Para Lenzi,  por se tratar de uma energia limpa, renovável e ambientalmente sustentável que apresenta benefícios para matriz energética, no planejamento do setor e na comercialização de energia, as centrais hidrelétricas são fontes importantes, mas vivem uma crise sem precedentes por conta de que não existe uma política especifica voltada para esse segmento, dado o volume pífio de contratação dos últimos leilões de energia.

Entre os benefícios oferecidos pelas PCHs, Lenzi lembrou a regularidade na produção de energia. “Quando se utilizam fontes intermitentes, como eólica e solar, é preciso garantir fontes seguras. Qual a outra fonte que  irei usar? Uma opção segura, limpa, de menor custo como as PCHs, ou uma fonte suja como as térmicas a óleo?”, indagou.

Entre as características do setor, Lenzi citou o componente 100% nacional da cadeia produtiva formada por empreendedores, além do fato de as usinas estarem situadas nas proximidades dos centros de cargas, gerar empregos e tributos e de menor emissão de gases de efeito estufa. Outro dado se refere ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), uma medida concebida pela ONU (Organização das Nações Unidas) para avaliar a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico de uma população. “Estudos de técnicos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) demonstraram que, nas localidades em que existem centrais hidrelétricas, houve um incremento de 20% acima dos municípios vizinhos que não têm o empreendimento. São as PCHs ajudando a melhorar os índices socioeconômicos das regiões”, acrescentou.

Atualmente existe um potencial 20 Gigawatts de PCHs no país, além de 52 inventários em estudo pela Aneel para identificar potenciais e 693 empreendimentos com projetos básicos aprovados em processo de licenciamento ambiental. Ao total, 424 PCHs estão em operação no país, correspondente a 5.189 MW, de um total de 166 gigawatts.

 

 

 

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