Setor de infraestrutura do Brasil depende de recursos equivalentes a 3,6% do PIB para se modernizar

O Brasil deverá encerrar o ano com investimentos em infraestrutura no equivalente a 1,71% do PIB, o que representa uma queda de 0,2 pontos percentuais em comparação ao ano anterior. Com investimentos em anos recentes de menos 2% do PIB, existe uma necessidade de recursos de 3,6% do PIB para permitir um processo mínimo de modernização ao longo das próximas duas décadas, na suposição de um potencial de crescimento não inflacionário na média de 1% para os próximos 20 anos, afirma o economista Cláudio Frischtak, sócio gestor da Inter. B – Consultoria Internacional de Negócios, do Rio de Janeiro.

“Com um potencial alargado por reformas que impulsionasse o PIB potencial para ao menos 2%, as necessidades de investimento chegariam a 4,2% do PIB. Em ambos os casos, ainda estamos distantes”, acrescenta na abertura da 21ª edição da Carta de Infraestrutura, divulgada na sexta-feira, que apresenta a trajetória recente dos investimentos no setor.

Aqui veja na íntegra a Carta de Infraestrutura

Carta de Infraestrutura 06.05.2022

De acordo com ele, frente a uma brecha de investimentos de 2% a 2,5% do PIB, o esforço maior será necessariamente do setor privado, ainda que haja necessidade de se ampliar os investimentos públicos, hoje em torno de 0,6% do PIB para pouco acima de 1% do PIB.

Já o investimento do setor privado seria da ordem de ao menos 1,5% do PIB,  tendo possivelmente de chegar em até 3,1% do PIB. “Cabe enfatizar que ampliar os investimentos públicos irá demandar com toda a probabilidade uma reforma do Estado, criando espaço fiscal de forma responsável e rechaçando tentações populistas”, assinala.

Frischtak enfatiza, no entanto, que não há como avançar sem perseguir uma agenda centrada em dois grandes temas: melhoria da governança dos investimentos públicos e da institucionalidade do ambiente de negócios no país.

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Cláudio Frischtak

“Patrimonialismo com a coisa pública e clientelismo orçamentário, assim como decisões do executivo com frágil base técnica, geram desperdício e má alocação de recursos públicos”, adverte.  “O país já está maduro e informado para não aceitar formas atrasadas de fazer política pública. Ao mesmo tempo, o ambiente de negócios necessita não apenas de maior segurança jurídica e previsibilidade regulatória, mas aderência a regras universais. Isso passa pela reconstrução reputacional do país, no contexto de uma economia aberta, competitiva e sustentável”.

Com mais de 120 publicações (dentre livros editados, artigos acadêmicos e relatórios de pesquisa nas áreas de inovação e desenvolvimento industrial, regulação de mercados e política de competição, e infraestrutura e desenvolvimento econômico), Frischtak é membro de vários conselhos institucionais e empresariais, incluindo o Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria e da Federação de Indústrias do Rio de Janeiro, o Conselho da Associação Brasileira de Operadores Logísticos e o Conselho de Administração da Wilson, Sons.

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