Sindielóica-RS prevê novo salto de energias renováveis no Brasil com a aprovação das reformas

Com a aprovação das reformas da Previdência Social e do sistema tributário nacional, os fundos internacionais deverão direcionar grande parte de seus investimentos ao setor de energias renováveis do país, o qual deverá dar um salto a um novo patamar na matriz energética nacional, na opinião de Guilherme Sari, presidente do Sindicato das Indústrias de Energia Eólica do RS ( Sindieólica-RS).

“O investidor já percebe as mudanças e como o Brasil é um dos grandes países emergentes, mesmo que existam outros com crescimento na América do Sul, como Chile e Peru, por uma questão de volume a escolha certamente deverá recair sobre o Brasil”, avalia Sari.
Respeito aos contratos
Hoje, segundo o titular da Sindieólica, vemos países como a Alemanha com intenções de mudança no sentido de alcançar uma maior participação de renováveis em sua matriz energética, enquanto o Brasil já possui uma matriz estruturada nesse sentido, o que torna fundamental seguir com o processo de inserção de renováveis que está em andamento.  Nessa linha, ele ressalta que os fundos de investimentos necessitam de garantias, de respeito aos contratos.

“No Brasil, existe uma cultura que se baseia no empreendedor como se ele fosse o salvador da pátria. É preciso entender que ele não vem para ser solução social. Essa é um pouco da crítica da União Europeia sobre o setor público do Brasil. E pensando no longo prazo dos contratos, o governo precisa oferecer garantia, o Estado deve ser parceiro e não criar empecilhos aos contratos”. (Somente no ano passado, segundo levantamento produzido pela Bloomberg, o investimento global em energias renováveis atingiu US$ 288,9 bilhões, superando o apoio financeiro à geração de energia a partir de combustíveis fósseis).
Custo Brasil
Outros entraves aos investimentos no Brasil, de acordo com o presidente da Sindieólica, fazem parte do chamado Custo Brasil, no qual se enquadram o déficit da infraestrutura dos transportes que encarece o custo logístico, as oscilações do câmbio e o licenciamento ambiental.

Em uma avaliação sobre o próximo leilão de energia marcado para outubro, Sari afirma que nota-se certa tendência de mudança na qual se percebe as renováveis em uma linha crescente, tendo assumido mais de 9% da matriz energética nacional, com as hídricas reduzindo sua participação. “Essa tendência reforça o trabalho sobre o mercado de offshore em que estamos trabalhando no RS. Todas as empresas ou  grande parte delas advém do segmento de óleo e gás. São grandes petroleiras dotadas de tecnologias das plataformas. O que vem acontecendo com elas? Estão saindo do óleo e gás devido à pressão ambiental e viram no mercado offshore uma oportunidade de entrar em renováveis”.

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