Sindienergia-RS projeta novo avanço das energias renováveis pós-covid-19

Parque eólico de Osório da Enerfin do Brasil

O ano de 2020 será um hiato de perdas que precisam ser recuperadas ainda no segundo semestre para o crescimento em 2021, quando haverá um avanço exponencial da capacidade instalada das fontes renováveis, segundo Guilherme Sari, presidente do Sindicato das Indústrias de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS).

Ele lembra que o setor elétrico, no país, antes do covid-19, vinha em uma mudança “agressiva e drástica” de quantidade para disponibilidade horária, em que a fonte hidráulica estava diminuindo sua base na geração elétrica, com acréscimo significativo do segmento de fontes renováveis, a qual supria de forma significativa à demanda do setor, com destaque para a energia eólica, com mais de 15 GW instalados na matriz energética do Brasil.

Ocorre que em meio a essa mudança, a conjuntura acabou sendo alterada pela pandemia, originando uma recessão mundial cujo desfecho ainda é totalmente desconhecido para os investidores que estão apreensivos e inseguros sobre os caminhos a serem seguidos em seus novos ativos, acrescenta Sari.
Desafio

Pois foi justamente nesse período em que nasceu o Sindinenergia-RS, destaca Sari, para quem a nova entidade representa um grande desafio pelo fato de deixar de focar em uma fonte única, a energia eólica, para passar a agregar outros agentes de diferentes formatos de potência instalada e de investimentos. “Assim, será preciso fazer um entendimento de todas essas fontes a fim de criarmos um ambiente de negócios para representar e que dispõe de um alto potencial”.

Para Sari, o Covid-19 fez com que o ano de 2020 alterasse totalmente a previsão de crescimento e o cenário econômico e energético do país. Um ano que prometia ser diferente e que foi atropelado por um vírus altamente contagioso em escala global, fazendo com que os cenários econômicos mundiais fossem atingidos. “Somente em 2021, vamos poder recuperar essas perdas, quando será possível  aproveitar o momento em que o crescimento de investimento em renováveis  terá continuidade, junto com uma fonte de base, que deve ser a térmica a gás, dada a redução natural dos investimentos em hidroeletricidade de grande porte”, avalia.

“Temos esse desafio de aproveitar o momento e juntar todas essas fontes em um processo capaz de elevar a capacidade de geração do estado”, pontua o empresário ao lembrar que somente o setor eólico conta com 38 projetos, em diversos estágios de licenciamento ambiental que somam cerca de 7,3 mil MW em capacidade instalada, o que significaria quadruplicar o atual potencial de geração.

Janela de oportunidades
Ao avaliar os cenários do estado, o líder das energias renováveis do RS acredita que será preciso uma mobilização por parte dos empreendedores no sentido de não deixar passar em branco o que define como “uma janela de oportunidades”, que será sustentada por meio de uma nova infraestrutura de transmissão com capacidade de 4.940 MVA, 2.951 km de extensão, 10 novas subestações e ampliação de 13 unidades existentes, com cerca de R$ 5,4 bilhões em investimentos.

“Foi uma conquista em que a entidade teve um papel muito ativo depois da frustração com as obras do Lote A, em que a Eletrosul saiu vencedora, mas que não conseguiu realizar o empreendimento. Com uma conexão segura, o RS tem todas as condições de avançar na geração não somente da fonte eólica, mas também das pequenas centrais, solar, biomassa e biogás”.

Objetivos
Hoje, a matriz energética do Rio Grande do Sul  é formada por 76 parques eólicos que respondem por 22,4% de toda a capacidade de geração elétrica instalada no estado. O percentual só é menor do que a fonte hídrica que chega a 4,5 mil MW  correspondente a 55,5% do total.

“Nosso objetivo, entretanto, não será comparar fontes e seus percentuais e, sim, gerar mais energia a ponto de transformar o estado em exportador de energia, papel que ainda não desempenha”, conclui.

 

 

 

 

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Threads

Últimas Notícias

O poder econômico das ferrovias de curta distância: conectando a indústria local, impulsionando o crescimento regional

Diferente das grandes ferrovias de longa distância, as ferrovias de curta distância (short lines)  operam como ramais regionais que conectam zonas de produção diretamente a troncos principais ou terminais portuários. Elas são mais flexíveis, possuem custos operacionais reduzidos e são ideais para o transporte de cargas de alto volume, como grãos, fertilizantes, combustíveis e madeira. O estado possui uma malha ferroviária histórica que, embora subutilizada em muitos trechos, atravessa as principais regiões produtoras. A revitalização desses trilhos sob o modelo

Leia Mais »

Codesul propõe fim do monopólio ferroviário da Rumo e criação de novo modelo de negócios

O fim do modelo ferroviário monopolista controlado pela empresa Rumo e a criação de um novo modelo de negócios que permita a operação de short lines nos quatro estados faz parte da proposta do Codesul que será levada ao Ministério dos Transportes. Segundo o secretário adjunto de Logística e Transportes (SELT) do Rio Grande do Sul, Clóvis Magalhães, a estratégia visa romper com a atual estrutura onde a concessionária detém o controle total sobre a via e a operação, impedindo

Leia Mais »

Descarbonização e inovação na infraestrutura

Joelson Sampaio Num cenário global cada vez mais pressionado pelos efeitos das mudanças climáticas, a transição para uma economia de baixo carbono tornou-se prioridade na agenda dos projetos de infraestrutura. A descarbonização, entendida como o processo de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e de outros gases de efeito estufa, também tem ocupado a agenda do campo da infraestrutura. Integrar a descarbonização aos projetos de infraestrutura não é apenas uma necessidade ambiental, mas também uma oportunidade para impulsionar

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

O poder econômico das ferrovias de curta distância: conectando a indústria local, impulsionando o crescimento regional

Diferente das grandes ferrovias de longa distância, as ferrovias de curta distância (short lines)  operam como ramais regionais que conectam zonas de produção diretamente a troncos principais ou terminais portuários. Elas são mais flexíveis, possuem custos operacionais reduzidos e são ideais para o transporte de cargas de alto volume, como grãos, fertilizantes, combustíveis e madeira. O estado possui uma malha ferroviária histórica que, embora subutilizada em muitos trechos, atravessa as principais regiões produtoras. A revitalização desses trilhos sob o modelo

Leia Mais »

Codesul propõe fim do monopólio ferroviário da Rumo e criação de novo modelo de negócios

O fim do modelo ferroviário monopolista controlado pela empresa Rumo e a criação de um novo modelo de negócios que permita a operação de short lines nos quatro estados faz parte da proposta do Codesul que será levada ao Ministério dos Transportes. Segundo o secretário adjunto de Logística e Transportes (SELT) do Rio Grande do Sul, Clóvis Magalhães, a estratégia visa romper com a atual estrutura onde a concessionária detém o controle total sobre a via e a operação, impedindo

Leia Mais »

Descarbonização e inovação na infraestrutura

Joelson Sampaio Num cenário global cada vez mais pressionado pelos efeitos das mudanças climáticas, a transição para uma economia de baixo carbono tornou-se prioridade na agenda dos projetos de infraestrutura. A descarbonização, entendida como o processo de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e de outros gases de efeito estufa, também tem ocupado a agenda do campo da infraestrutura. Integrar a descarbonização aos projetos de infraestrutura não é apenas uma necessidade ambiental, mas também uma oportunidade para impulsionar

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Sua marca entre os principais players da logística nacional

A Revista Modal oferece espaços publicitários e oportunidades de parceria para empresas que desejam se destacar no setor.

Entre em contato e solicite nosso Mídia Kit.