Sindieólica-RS diz que mudança nas regras do leilão A-6 não levou em consideração a importância das renováveis na matriz energética do Brasil

Guilherme Sari, presidente do Sindieólica-RS

O presidente da Sindieólica-RS, Guilherme Sari, em entrevista a MODAL fez reparos à decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de mudar a regra de sazonalização (distribuição ao longo do ano) dos contratos eólicos e fotovoltaicos. De acordo com o edital do leilão A-6, a ser realizado em 18 de outubro, aprovado na semana passada, os contratos por quantidade de eólica e solar vão acompanhar o perfil da carga declarada pelo comprador, como ocorre com os projetos hidrelétricos. Ou seja, quando não houver nem vento nem sol, as fontes passarão a ter de assumir o chamado GSF.

“Achei precipitada a decisão sem a devida discussão, uma vez que falamos de fontes diferentes, com entregas diferentes e preços diferentes”, avaliou Sari. Em sua opinião, é preciso considerar o fato de que estamos em um país, onde a complementariedade é fundamental.

“Precisamos de hídricas, assim como de térmicas, e não menos importante das renováveis, por uma simples diversidade de matriz, custos, tempos de implantação e sazonalidades. Vivemos em um país continental com potencialidades diferentes em cada região”, assinalou.

O titular da Sindieólica-RS considerou equivocada a discussão que “sempre paira sobre qual a melhor fonte, quando, na verdade, “temos o dever de estar buscando os melhores recursos possíveis para manutenção da diversidade e melhores custos”.

O que é consensual, segundo Sari, é que o setor não deve mais se balizar em estudos hidrológicos como referência da matriz elétrica, uma vez que uma fatia de 40% não é mais hídrica. Da mesma forma, é preciso entender que os formatos de geração são diferentes e por isso levam a formatos diferentes. “As renováveis tem o caráter da sazonalidade para poder estar compondo, muitas vezes, com a fonte hídrica os riscos da hidrologia que são reais e permanentes”.

Lembrou que o Brasil detém recursos variados, o que favorece muito a questão de riscos elétricos e compensações, exatamente por essa diversidade. Por isso é preciso saber unir as forças para a preservação de recursos variados e competitividade em todas essas fontes, dentro de suas características, acrescentou. “Isso precisa ser entendido pela Aneel e por todas as associações de energias que temos no país. Não é uma contra a outra. Mas uma complementariedade para que todas tenham sua importância dentro do processo”, destacou.

 

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