Sindieólica-RS projeta melhor cenário no leilão A-6 para os projetos gaúchos com a infraestrutura de transmissão definida e com cronograma de execução

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Os empreendimentos em energia eólica no Rio Grande do Sul começam a recuperar o fôlego perdido devido ao atraso na construção de 1,9 mil quilômetros de linhas de transmissão, as quais deveriam entrar em operação inicialmente a partir de janeiro de 2018, prazo que foi estendido para janeiro de 2022 e que não se concretizou.  Agora, com a garantia em edital definido para operação a partir de março de 2024 de quatro dos cinco lotes arrematados no certame realizado em dezembro do ano passado, o cenário começa a mudar. Afinal, a capacidade instalada de energia eólica de um dos estados pioneiros nessa tecnologia permanece em 1,8 mil MW desde 2014.

Ao comentar à MODAL a expressiva participação dos gaúchos no leilão previsto para esta sexta-feira, Guilherme Sari, presidente do Sindicato da Indústria de Energia Eólica do RS ( Sindieólica-RS ), afirmou que o RS tende a ter uma melhor participação com a definição das linhas e subestações.  “Os PPAs de mercado livre no submercado sul são valorizados e isso deve mostrar uma orientação em investimentos no sul – principalmente no tocante as eólicas. Assim que a definição for real, a expectativa é de bons ventos para o RS”, acrescentou.
Acompanhe:

A energia eólica se destacou como a fonte com maior número de projetos habilitados (760 no total) para o Leilão A-6. Como analisa esse fato em termos de oferta? 
É um número bastante expressivo que resulta em mais de 25GW de projetos da fonte eólica, ou 25% do total de projetos habilitados. Se por um lado torna o leilão extremamente competitivo pelo alto número de projetos (eólicos e outros), por outro mostra a força da fonte na matriz energética brasileira.

As características técnicas dos empreendimentos eólicos vêm sendo modificadas nos últimos anos pela elevação da potência nominal das turbinas. Isso é uma tendência também nos projetos do RS?
Essa não é somente uma tendência como uma realidade de mudança. A potência nominal modificou e teremos para as próximas contratações de energia de parques eólicos, turbinas muito mais robustas e maiores do que as que vêm operando os parques atualmente. Essa mudança tende a aumentar significativamente a potência instalada, mas também a diminuir o número unitário de máquinas. O que pode ser uma vantagem competitiva frente a questões de licenciamento ambiental e também impacto visual (assunto que vem sendo discutido cada vez mais por setores da sociedade).

Ao todo, pelo RS foram cadastrados 73 projetos com uma potência total de 1.939,7 MW. Isso é uma demonstração de otimismo em razão do bom momento das obras de linhas de transmissão?  Ou qual o fator preponderante?
Podemos dizer que por um lado sim, já demonstra certo otimismo com a questão da conexão, mas também demonstra uma estratégia competitiva de manter os projetos habilitados e assim evitar recorrer a um novo cadastramento. Ou seja, mantém ajustado toda a parte documental do projeto e apto a qualquer situação de contratação de energia. Inclusive mercado livre.

Apesar do expressivo cadastramento dos projetos gaúchos, os empreendedores estão mesmo de olho no mercado livre? Ou o mercado regulado voltou a ser uma opção positiva?
O mercado regulado vem perdendo força considerável quando comparado com o mercado livre. Este sim vem crescendo e muito nas contratações de energia pelo diferencial de preço. A grande questão ainda é a financiabilidade dos projetos que, no mercado regulado, tem maior aceite por parte das instituições financeiras – sendo BNDES ainda como principal agente financiador neste mercado. Mas as coisas vêm mudando numa celeridade bastante nervosa. As mudanças vão desde a forte migração do ACR para o ACL, assim como nos processos financeiros (o BNDES já não é mais o principal agente financiador e a entrada de financiamentos privados e mesmo externos é uma realidade), além da questão de mudança de contratação de energia que tinha um regramento de geração com ajustes e que passará a ser por disponibilidade horária fazendo com que a previsibilidade seja maior e que as informações previstas aconteçam na prática. Isso promove uma mudança nas curvas de geração porque não basta ter produtividade, mas sim constância de geração. A sazonalidade será afetada neste caso.

Como avalia os preços-teto MW/h para eólica  fixados para o leilão, respectivamente 189,00 e 173,47 para empreendimentos outorgados com contrato no ACR?
Mostra o cenário atual de muita oferta e com uma expectativa de contratação de energia baixa. Deve ser altamente competitivo com tendência a  preços recordes para baixo. Mas já se percebe no mercado que, embora tenhamos projetos com preços baixos, e muitas vezes com dúvidas se realmente fecham as contas, que a contratação deve ser sempre mínima para garantir minimamente a financiabilidade. O restante é de projeto para ser vendido no mercado livre e assim ajustar um preço médio melhor do que o contratado no ACR.

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