Startup gaúcha Tectane vai trabalhar na modalidade turn key em projetos de cogeração e de conversão de equipamentos para gás natural

Engenheiro Wolf Rowell, criador da startup Tectane/Revista Modal

A abertura do mercado do gás natural, no Brasil, deverá provocar uma forte adesão da indústria e de outros segmentos, devido, principalmente, à queda esperada no preço da molécula e à emissão reduzida de gás carbônico quando comparado a outros combustíveis fósseis.

Foi pensando nessa expansão da oferta que o engenheiro mecatrônico, especialista em sistemas de energia, Wolf Rowell, acaba de criar a startup Tectane focada em tecnologia e projetos de cogeração e de conversão de equipamentos industriais para gás natural.

“Vamos trabalhar em projetos turn key, de integração completa, de 5 MW para cima, em todo o Brasil, sobretudo nos mercados dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, em que estão situadas grandes empresas industriais”, afirma o engenheiro.

Paulistano, 38, Rowell desde os 18 anos reside no Rio Grande do Sul. Radicado inicialmente em Caxias do Sul, onde seu pai foi diretor industrial da empresa Vidroforte, ele passou a residir em Porto Alegre para cursar a Faculdade de Mecatrônica na PUC-RS.

Com passagem pela Dell, de Eldorado do Sul, foi no grupo Gerdau, na engenharia da usina de Sapucaia, em que permaneceu por cinco anos, que ele desenvolveu seu interesse pela eficiência energética e viu emergir a sua veia empreendedora.

“Percebi, trabalhando em gestão de projetos na fábrica, que não havia plano de ação claro para a redução de custos de energia”, conta Rowell. “A partir daí comecei a pesquisar por conta sobre eficiência energética e resolvi que desejava empreender. Tanto a Dell  como o grupo Gerdau foram grandes escolas, mas não me sentia realizado”.

Depois de criar um negócio como importador de produtos da China, onde esteve por duas vezes em feiras de negócios, Rowell , no início de 2015, em sociedade com o empresário Bruno Ruschel e o administrador Rael Mairesse, fundou a Luming Inteligência Energética especializada em atualização tecnológica e redução de custos, da qual se desligou há 18 meses criando a Rowell Inteligência em Energia e nos últimos meses a Tectane.

No período em que esteve à frente da  Luming, passou por uma imersão na sede da Capstone, fabricante de microturbinas de cogeração, de Los Angeles, nos EUA, em que obteve certificação para desenvolvimento e manutenção de projetos de cogeração para usuários finais, como hospitais, hotéis e condomínios. Entre os primeiros projetos de cogeração produzidos pela empresa, ele se envolveu diretamente com os do Hotel Audace e do Condomínio Ibirapuera, da Rossi, ambos de Porto Alegre, além do projeto e implantação da iluminação esportiva em LED das  12 quadras de tênis da Sogipa que obteve 70% de redução de custos no consumo de energia ao mesmo tempo que foi alcançado incremento significativo na qualidade luminosa.

Com um modelo de negócios sustentado em três eixos: verticalização da importação  de equipamentos minimizando custos intermediários, uma engenharia com foco em energia voltada para otimizar os custos elétricos e térmico do cliente e capital de investimento para autossustentar os projetos, Rowell está em fase final de montagem da operação Tectane, de contatos com fornecedores e prospecção de mercado, no qual já conta com um significativo networking. Neste último item, ele conta com a experiência de mais de 30 anos no mercado do óleo & gás de seus sócios, entre eles o engenheiro Oscar de Azevedo, que já foi diretor da internacional Weatherford e presidente do conselho do instituto de petróleo e gás do Senai e  de entidades como o Simecs e do APL metal mecânica.

Em paralelo, ele vem atuando desde a saída da Luming, na metade de 2018,  por meio da  Rowell Inteligência em energia, que atua desenvolvendo projetos nas áreas de sistemas de cogeração, design energético industrial e comercial, otimização de sistemas elétricos e térmicos, eficiência energética, projetos de geração renovável e geração distribuída. Entre alguns de seus contratos, ele destaca o da Fitesa, do grupo Petropar, para a qual desenvolve estudos e projetos para unidades fora do Brasil.

Sobre as perspectivas do novo mercado do gás natural no Brasil, Rowell é otimista. “A expectativa é de uma redução de até 40% no preço do gás e isso torna viável uma série de projetos de grande porte que pretendemos desenvolver”, afirma. “Ainda faltam alguns entraves a ser superados pelo mercado, mas acredito que ainda neste ano vamos ter um bom avanço, principalmente na região Sudeste”.

Com uma meta de faturamento “bastante alta” que ele prefere não revelar, Rowell admite que, em médio prazo, uma capitalização para projetos por meio do mecanismo de equity e dívida via crowdfunding é uma opção em desenvolvimento com parceiros estratégicos. “Nesta fase atual, não. Estamos avançando com capital próprio. Mas estamos trabalhando focados em criar um ambiente propício e seguro para nossos investidores, e ai sim acreditamos que será um caminho sem volta”.

 

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