Tradener espera melhora da economia e normalização da oferta de aerogeradores e pás para investir em parques eólicos

Wallfrido Ávila, presidente da Tradener

Um total de 248 MW de projetos de implantação de parques eólicos da Tradener (PR) está na dependência de oferta de aerogeradores e de pás para começar a andar.  Ao lado disso, a empresa aguarda uma melhor sinalização sobre o desempenho da economia para definir esses investimentos.

Walfrido Ávila, presidente da Tradener, afirmou a MODAL que o mercado de equipamentos para usinas eólicas está “muito difícil” devido à desativação de fabricantes no Brasil. No segmento de aerogeradores para energia eólica foi encerrada a unidade da Wind Power Energia (WPE), controlada da Impsa, do grupo argentino Pescarmona. No de pás eólicas, a Wobben Windpower Indústria e Comércio Ltda e a Tecsis também encerraram a produção.
“Estamos esperando uma janela para a compra dessas máquinas e avançar com esses projetos, o que também depende do crescimento da economia no país”, disse Ávila.  Para este ano, a empresa não pretende cadastrar nenhum projeto de energias renováveis nos leilões.

Primeira comercializadora do país a entrar em operação no mercado livre, a Tradener é uma tradicional investidora em energia hídrica que nos últimos anos vem diversificando seus investimentos em outras fontes renováveis “para melhor atender a seus clientes”.
Rio Grande do Sul

Com 368 MW de projetos em energia eólica, ela detém 120 MW em operação, com o restante ainda na dependência do mercado. Entre esses, dois estão no Rio Grande do Sul: Chicolomã, de 90 MW, que será localizado em Osório e demandará investimentos de R$ 400 milhões; e Gran Sul, de 211 MW, previsto para as proximidades da Lagoa dos Patos, que também está na dependência da conclusão de obras de linhas de transmissão.  Nesse empreendimento que irá demandar cerca de R$ 800 milhões, a Tradener participa com 20%, com o restante da  espanhola Enerfin.

Além de energia eólica, a Tradener também está atuando no mercado de energia solar por meio da compra de energia  junto a investidores. Até o momento foram adquiridos 350 MW que serão comercializados no mercado livre. “Nós damos o PPA e os empresários fazem os investimentos”, explicou.  “Isso é uma novidade que trazemos para quem  deseja investir em energia, mas desconhece as regras do setor”.
Goiás

Depois de inaugurar  a PCH Tamboril, de 15,8 MW, em novembro do ano passado, no estado de Goiás, a empresa vai investir em mais três unidades com potência total de 45 MW, todas no rio São Bartolomeu. Em janeiro começaram as obras da primeira  denominada São Bartolomeu, em 1º  de abril devem iniciar as de Salgado e em fevereiro de 2022 a Gameleira. Ao total estão sendo investidos R$ 280 milhões, com recursos por meio de emissão de debêntures de infraestrutura, cujos contratos foram negociados com o Itaú e XP.  O empresário comentou que financiar  obras do setor elétrico  por meio de debêntures é mais fácil, mais rápido e mais econômico. “Uma diferença de dois ou três pontos percentuais na taxa de juros pode decidir um empreendimento”, pontuou.
Ávila fez questão de destacar a rapidez no processo de emissão de licenças ambientais em Goiás e reiterou que fora esse estado não é possível investir, na medida em que os órgãos ambientais tornam mais difíceis os trâmites de licenciamento.
PDE-2030

A uma pergunta sobre a as projeções do PDE-2030, que previu 1,098 GW de fonte hídrica até  2029, uma estimativa bem inferior em comparação  às fontes eólica e solar, Ávila disse  que devido à questão ambiental o Brasil optou por não dar “facilidades” ao seu maior potencial que são as centrais hidrelétricas.
“Trata-se de uma indústria totalmente nacional que gera empregos e movimenta uma grande cadeia setorial, enquanto que dependemos dos chineses na fonte solar e do mundo inteiro na fonte eólica, porque não dominamos essas tecnologias e nem vamos dominar nos próximos 10 anos”, assinalou.

“Enquanto isso, as centrais hidrelétricas detêm uma tecnologia fantástica. Por exemplo, nessa obra que inauguramos em Goiás, existem apenas  três operadores; um por turno, mais um vigia e um cachorro.”
Atualmente a Tradener comercializa no mercado livre cerca de 750 MW médios por mês, o que deve elevar-se em torno de 10% em 2022, segundo prevê Ávila. Ao total, opera com uma potência própria de 100 MW que deve chegar a 200 MW em 2022.

Fundada há 22 anos pelo próprio Walfrido Ávila, a empresa é de capital fechado. Sobre a possibilidade de vir a emitir ações, o empresário argumenta que para abrir o capital é preciso cumprir uma série de etapas. “Ainda não estamos prontos, mas a ideia é essa mesmo”, admite.

 

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