Trinity avança no mercado livre, apesar da conjuntura adversa devido ao impacto da covid-19

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João Sanches, CEO da Trinity/Foto/Divulgação

A retomada da confiança do setor industrial foi um dos fatores que influenciou o forte desempenho da Trinity no primeiro semestre do ano. Especializada em comercialização de energia no mercado livre, ela teve um crescimento estimado em 200%, em comparação a igual período do ano passado, quando a receita alcançou cerca de R$ 300 milhões. “Trata-se de um resultado que, em grande parte, se deve ao ingresso de entre 60 a 70 novos clientes, cuja maior parte é do setor industrial”, afirma o CEO da empresa, João Sanches, em entrevista a MODAL.

A forte queda de preços por conta da redução de consumo, segundo ele, provocou um impasse na renegociação de contratos, pois os preços do mercado spot ficaram em sua grande maioria bem abaixo dos preços dos contratos. Ou seja, a sobra de energia contratada por consumidores que reduziram sua demanda por energia, se vendida no mercado spot, teria um preço bem inferior ao contratado o que gerou grandes prejuízos, acrescentou.

Na renegociação de contratos, esse efeito afetou os fornecedores em sua maioria e os acordos mais comuns foram: redução do volume contratual, prazo para pagamento de faturas e redução de preço/volume combinado com alongamento do prazo dos contratos. Já os novos contratos terão preços inferiores de acordo com a nova curva de preços impactada pela previsão de redução do consumo, assinalou.

“Os prazos ficaram um pouco mais longos, o que, somado a bons preços, torna o momento bastante oportuno para negociações.”

Sanches define como a principal lição da pandemia da covid-19 o fato de que não é preciso grandes deslocamentos  para manter a proximidade com  clientes. “Por meio da tecnologia de comunicação,  foi possível manter a qualidade dos atendimentos, assim como em suas reuniões internas”.

Mesmo as metas previstas para este ano não foram prejudicadas, devendo até mesmo ser ultrapassadas. “Construímos uma base sólida, e estamos bastante estruturados e preparados para enfrentar situações adversas.”

Sobre os  preços de energia incentivada, ele acredita que devem se manter em patamares abaixo da média dos últimos anos.  “A recuperação dos níveis dos reservatórios, bem como a redução da demanda por conta da desaceleração da economia causada pela pandemia nos faz enxergar esse cenário”.

Ele nota que o preço da energia incentivada também é influenciado pela demanda desta fonte em novas migrações de consumidores para o ACL. Todavia, a grande maioria das novas migrações possuem cargas baixas. Por outro lado, usinas novas que geram energia incentivada como eólica e fotovoltaica no ACL estarão entrando em operação nesse período e essa oferta deve gerar uma pressão baixista no preço.

“Acreditamos que, na média, os preços serão baixos. Os do primeiro semestre de 2021 terão preços inferiores ao segundo semestre. Com preços baixos, deve haver volume bom de contratações nesse período”.

Em relação à capacidade da empresa de resistir cenários adversos, ele diz que está em seu DNA estar preparado em qualquer momento para essa situação de mercado, uma vez que o preço de energia sofre extrema volatilidade. “Vamos usar essa oportunidade para efetuar contratações com bons preços para nossos clientes” projeta.

Sanchez estima para 2020 uma receita bruta de cerca de R$ 1,2 bilhão, com crescimento de 200% sobre o exercício do ano anterior.

Presente em 24 estados brasileiros, a companhia tem sob a sua gestão cerca de 200 empresas, divididas entre consumidores e geradores de energia elétrica. Somente o  submercado Sul participa com 7,12% de suas receitas –  4,45% (PR); 2,08% (RS) e 0,59% (SC).

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