Uma política para a retomada dos projetos de energia eólica no RS

Foto/Divulgação

Ricardo Pigatto

Ao longo da história do Brasil, principalmente a mais recente (últimos 50 anos), temos visto uma ação conjunta dos estados do Nordeste na busca (e conquista) de crescimento econômico para superar os estados “mais desenvolvidos”, nos quais buscamos enquadrar, mesmo que num gritante autoengano, o Rio Grande do Sul.

Atualmente, de 2007 em diante, o Brasil viu o crescimento vertiginoso da geração de energia elétrica através da força dos ventos. Ainda em 2004, com o advento do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa),  o RS implantou o que, na época, foi o maior parque eólico do Brasil, em Osório, com 158 MW. Entretanto, no contexto do programa nacional, o RS ficou com apenas 12% da potência instalada.

Por incrível coincidência, passados mais de 13 anos, o RS, que possui 40% do potencial eólico brasileiro, tem apenas os mesmos 12% de toda a potência instalada atual. E a tendência é que nos próximos anos fique com menos de 10%. Todos os fabricantes de aerogeradores instalados no Brasil estão no nordeste. O mesmo ocorrendo com os fabricantes de pás.

O Brasil hoje tem 13 GW de potência instalada e até 2023 serão quase 20 GW. Desde 2009, o RS não consegue vender nenhum MW em leilões nacionais. Foram feitos investimentos de mais de R$ 65 bilhões, sendo R$ 57 bi no nordeste e apenas R$ 8 bi no RS. Até 2023 serão investidos mais R$ 35 bi e nada no RS.

Esse é o diagnóstico, falta a solução. A solução é mobilização total. Política, institucional e técnica. O RS precisa urgentemente de uma política ampla, tributária, ambiental e estratégica.  Ao Sistema Interligado Nacional (SIN), administrado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema),  cabe a árdua tarefa de operar um sistema eólico concentrado numa mesma área geográfica, agravando sobremaneira o custo da geração ao consumidor brasileiro por exigir a operação de usinas térmicas para manutenção das condições do sistema em função da intermitência da geração pelos ventos.

Se o planejamento do setor elétrico tivesse tomados as providências necessárias e distribuísse regionalmente a implantação da geração eólica, esse custo seria evitado. Aí está a necessária atuação das forças político institucionais do RS. Trabalhar de forma dura e constante para que o MME (Ministério de Minas e Energia) priorize a região sul do Brasil para a expansão eólica nos próximos leilões para compensar a falta de planejamento anterior. Sem esforço e estratégia não há solução.  Ou vamos continuar assistindo o nordeste crescer?

Proprietário da RPI Partners e empresário desenvolvedor de projetos.

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