Volta do crescimento deve passar pela retomada de projetos inacabados, afirma Delfim Netto

Delfim Netto em palestra no Sinicesp Foto/Divulgação

Além da reforma da Previdência e da conservação do teto das despesas, a volta do crescimento econômico do país passa pela retomada das obras inacabadas, afirmou o ex-ministro Delfim Netto em palestra na sede do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo (Sinicesp).

“O governo terá que escolher um conjunto de obras inacabadas que possibilitem a maximização da taxa de retorno”, assinalou.   Defensor das privatizações, o economista sustentou que é preciso acelerar algumas propostas e afirmou que no caso da Eletrobras não há nenhuma razão para mantê-la como estatal e nem a distribuição de combustíveis. “É impossível de se imaginar que a distribuição de combustíveis seja uma tarefa estratégica”, ironizou o ex-ministro.

Sobre a taxa cambial, alertou que o novo governo eleito já está batendo cabeça, com uma parte  defendendo o controle e outra que ainda não sabe qual será a política cambial. Para Delfim Netto, pela primeira vez no Brasil existe uma conjuntura  que permite a flutuação do câmbio. “A taxa de câmbio voltou a ser um preço relativo que equilibra o valor da exportação com o valor da importação.” Depois de observar que existem grandes desperdícios ocasionados pelos desencontros da atual política tributária, Delfim Netto afirmou que existem alguns bons projetos de reforma, e, se o governo tiver humildade e capacidade para colocá-los em prática, eles só trarão benefícios.

Em relação às perspectivas do governo eleito, Delfim Netto afirmou que a sociedade está cansada e isso vai influenciar para que o novo Congresso Nacional não deixe de aprovar propostas razoáveis, mesmo porque houve uma mudança profunda na composição das bancadas parlamentares. “A sociedade tomou consciência de que como está a coisa não vai dar”, afirmou Delfim Netto.” O resultado da eleição foi uma coisa muito importante, pois o povo tomou consciência de que tem poder. Pela primeira vez observamos uma eleição em que as forças políticas institucionais não tiveram nenhum papel preponderante”.

Para Delfim,  o grande poder da televisão nas eleições desapareceu com o fortalecimento das redes sociais, ou seja, ninguém mais controla o voto.  “Houve uma consagração da democracia nessa última eleição, ao contrário do que as pessoas estão pensando. O poder atual não poderá mais determinar o poder futuro. Vamos poder aproveitar isso se todos tiverem um mínimo de inteligência e de tolerância”, afirmou Delfim Netto

 

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