Apisul utiliza drones em ações contra o roubo de carga

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Dona de um conjunto sofisticado de soluções integradas para vigiar o transporte de cargas, a Apisul, de Porto Alegre, começou a utilizar drones no auxilio nas operações em áreas consideradas de alto grau de conflitos. As primeiras experiências são recentes e foram realizadas no Rio de Janeiro. Embora ainda incipiente, a empresa está investindo na compra de unidades para apoio na busca e recuperação de cargas fora do estado.

José Bento Di Napoli, vice-presidente do grupo, ao se referir sobre o Rio de Janeiro, diz que a cidade é pouco diferente pela criminalidade, sendo importante ter um suporte da polícia militar para o bom andamento da operação, já que conhecem as regiões por onde os caminhões circulam diariamente. “Não posso colocar um funcionário nosso para operar um drone. Lá, o camarada leva o caminhão para a comunidade e você não sabe o que está sendo feito, se descarregou ou não. O drone ajuda nisso”, conclui.

Cargas recuperadas

Em 2016, a Apisul fez 86 operações de recuperações de carga, avaliadas em cerca de R$ 30 milhões. Entre janeiro e setembro deste ano ultrapassou mais de 100 recuperações, totalizando R$ 33 milhões. “Criamos um modelo de rápida percepção, ação e atuação”, conta Di Napoli, acrescentando que algumas quadrilhas de ladrões são especialistas. “São mais difíceis de tratar, outros, nem tanto, mas qualquer um têm os seus problemas operacionais também – precisa ser rápido, ter outro caminhão para fazer transbordo, esconder por um tempo”.

Centro de Operações da Apisul em Porto Alegre Crédito: Divulgação
Centro de Operações da Apisul em Porto Alegre Crédito: Divulgação

A empresa faz o acompanhamento de 150 mil viagens mensais, das quais entre seis a sete mil são viagens monitoradas on-line, geralmente, cargas em áreas de maior risco. A vigilância é feita comparando o plano  com o realizado. “Qualquer ruptura para nós é a possibilidade de alguém estar interferindo naquela viagem. A gente não espera que o motorista diga: estamos sendo roubados. Se o caminhão parou aonde não devia, ou se desviou da rota em uma área de risco, atuamos para tentar identificar se aquilo é um sinistro e tentar fazer uma ação”, afirma Di Napoli.

Celular como aliado

Especificamente no Rio de Janeiro, a Apisul criou diversas áreas de riscos, colocando automação para evitar que o caminhão não vá mais adiante na área de domínio do traficante. “Logo que sai da rota na Avenida Brasil, por exemplo, precisa ter uma ação para que não avance muito dentro daquele território, porque quanto mais se move para o interior da área, mais difícil é o trabalho da polícia”, informa o empresário.

Além de drones, outra ferramenta na tarefa de auxiliar os sinistros é o celular. Com o uso de um aplicado, é possível fazer o controle em determinados movimentos em que o caminhão não é rastreado. O aplicativo é colocado no celular do motorista. É ideal para cargas de baixo valor, mas que o cliente quer o acompanhamento da viagem. “É um grande aliado juntamente com os mecanismos de rastreamento e monitoramento das cargas. Hoje não é considerado uma ferramenta complementar, mas chegaremos nisso. Estamos discutindo isso. Você consegue falar com o motorista, em muitos casos para comparar posições junto com as telas de monitoramento”, observa Daniel Nobre, gerente de produto da Apisul.

Resistências quebradas

De acordo com Di Napoli, atualmente já há viagens sendo feitas com três e as vezes até quatro equipamentos, um sendo o contingenciamento do outro ou até complementar. Como quase todos os motoristas utilizam smartphones, ele é mais um complemento de segurança. “Tempos atrás, o uso de equipamentos de segurança era um enfrentamento com os motoristas. Havia resistência, alegavam que perdiam a liberdade.

Testes efetuados usando celulares dos clientes foram positivos. Por enquanto, ainda é pequeno o número de motoristas que utilizam o aplicativo, mas a ideia é expandir. “Não serve apenas para roubo. Pode ser que numa viagem, em plena madrugada, território desconhecido, o camarada se acidenta e se ninguém estiver controlando, ele só será encontrado no outro dia de manhã. Com os nossos controles, se ele parar de comunicar, imediatamente soa um alerta e nós vamos investigar, levar socorro até o local”, assinala o executivo.

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