Free Way, o equívoco da ANTT e o desafio do Dnit

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Foto/Divulgação

Por Milton Wells (*)

A manifestação do presidente da ABCR (Associação Brasileira de Concessionários de Rodovias), César Borges, a este portal, de que os usuários da Free Way sentirão falta do atendimento e da segurança da Triunfo-Concepa, toca em um ponto chave, quando se fala em rodovias concedidas. Ao pagar o pedágio, o cidadão recebe em troca muito mais do que uma estrada em condições de tráfego. Existe por trás toda a infraestrutura de atendimento que proporciona ao motorista uma proteção que, mesmo nas vias urbanas das grandes cidades, ele provavelmente deixará de ter, ou pelo menos no mesmo tempo em que ocorrem esses serviços nas estradas concedidas.

Com o fim da concessão da Free Way cabe ao Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), até a assunção do novo concessionário, em fevereiro de 2019, manter em perfeitas condições o trecho de 121 km entre Guaíba e Osório, com conservação constante a fim de assegurar segurança e conforto aos motoristas.

Ocorre que, segundo o superintendente do Dnit no Rio Grande do Sul, Allan Magalhães Machado, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, a autarquia necessitará de R$ 40 milhões para fazer os investimentos necessários na estrada a ser licitada. Trata-se de uma alta quantia para um órgão que teve um dos orçamentos mais contingenciados do governo federal devido à PEC do teto de gastos públicos. Justamente por essa insuficiência de recursos do Dnit, o gaúcho vê cada vez mais longe a probabilidade da duplicação da BR-116, por exemplo, ser concluída em 2019, ou seja, nove anos depois de sua licitação. Por causa dessa conjuntura, a obra já encareceu em mais de 50% em comparação ao projeto original.

É deveras surreal, portanto, o fato de que a ANTT tenha preferido deixar os motoristas nas mãos da incerteza que cerca a manutenção e conservação da Free Way por um ente público, no lugar de negociar com a Concepa uma nova prorrogação da concessão até a chegada do novo concessionário.

Somente no período de 1º de julho de 2017 a 30 de junho de 2018, a Triunfo Concepa atendeu a 65 mil ocorrências no trecho concedido. Destas, 37 mil foram atendimentos mecânicos, 3,1 mil foram atendimentos médicos, e 1.590 foram acidentes.   Diariamente são atendidos em média 102 veículos com problemas mecânicos e são feitos atendimentos médicos, em média,  a nove usuários. A média de ocorrências por dia no trecho concedido é de 179. Em 90% dos socorros médicos feitos em acidentes no período, as equipes chegaram em 12 minutos. Em 70% das ocorrências as equipes chegaram em 11 minutos, segundo levantamento feito pela empresa a pedido da Modal.

Vale acrescentar ainda que junto à qualidade desses serviços, a Concepa manteve atendimento médico e auxílio mecânico 24 horas, vídeo monitoramento do trecho concedido 24 horas e outros serviços de informação.

Não foi sem razão que ao longo de 21 anos de concessão, a Triunfo Concepa sempre obteve ótimos índices de satisfação pelos usuários. Na última pesquisa da CNT, em julho de 2017, 92% dos entrevistados avaliaram como ótimas ou boas as condições gerais da estrada. 96% classificaram como ótima ou boa a infraestrutura e 96% classificaram como ótimos ou bons os serviços oferecidos.

São dados que mostram com clareza porque as concedidas oferecem não somente as melhores estradas, mas também atendimento e segurança que as públicas não podem ter simplesmente porque o poder público não dispõe de recursos para tanto e nem mesmo consegue atender os deveres básicos do Estado, como saúde, ensino e segurança.
(*) Editor Revista Modal

 

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