Moveleiros gaúchos exportam para equilibrar custo fixo

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Volnei Benini/ Divulgação

Por Guilherme Antônio Arruda

Os fabricantes de móveis do Rio Grande do Sul apresentaram crescimento de 4,0% em dólar e 2,2% em volumes de peças nas exportações no período de janeiro a março de 2017 sobre o mesmo período de 2016, segundo a IEMI (Inteligência de Mercado, de São Paulo), empresa especializada no acompanhamento de setores industriais. Os dados incluem móveis, assentos, estofados e colchões. Isolando os móveis desse grupo, o número de peças embarcadas aumentou 2,33%, mas em dólar a diferença foi mínima, US$ 34,425 milhões neste ano, ante US$ 34,413 milhões o ano passado.

“Com o mercado interno ainda retraído – somente agora há sinalização de uma leve mudança no horizonte – e o dólar a R$ 3,09 não há muito o que fazer”, informa Volnei Benini, presidente da Movergs (Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul). “O que importa não é o prejuízo que terei lá fora com câmbio neste patamar, mas encontrar formas para manter o custo fixo da fábrica equilibrado, nem que seja com o dólar a R$ 3,09”, emenda o empresário, lembrando que o setor gaúcho amargou em 2016 queda na atividade entre 5% e 30%, conforme o segmento em que atua.
Demanda

Marcelo Prado, diretor do IEMI, diz que a demanda mundial tem dado sinais de voltar a se acelerar um pouco mais a partir de 2017. “As exportações brasileiras, se bem trabalhadas, poderão ser beneficiadas por este maior crescimento. Mas isso vai depender da nossa própria atuação no mercado internacional, seja em termos de produtos (inovação, diferenciais próprios, design original, etc.), seja em termos de promoção e distribuição lá fora”, alerta.

Segundo ele, é difícil dizer se o primeiro trimestre serve de balizamento para medir o comportamento futuro. “Não existe uma regra, mas é possível observar um interesse bem maior das empresas em recuperar parte das exportações que deixaram de ser realizadas, quando o mercado interno estava aquecido e o real estava sobrevalorizado, em relação ao dólar”. Marcelo estima um crescimento de 5% nas exportações para este ano. “É pouco. Será preciso muito empenho das nossas empresas para voltar aos patamares de 2005, quando exportávamos mais do que o dobro do que exportamos em 2016”, recorda.

As indústrias de móveis da região da Serra Gaúcha são responsáveis por mais de 80% das exportações gaúchas. Elas costumam direcionar, em média, 30% da produção para o mercado externo. Isso vale para empresas de grande e médio porte. O percentual é muito pequeno entre as micro e pequenas empresas. Marcelo Prado, da IEMI, conta que há demanda para todos os tipos de móveis, porém, do Brasil, os principais são os móveis de madeira, já que somos um dos poucos países produtores que dispõe de uma ampla oferta de madeiras certificadas, reflorestas e painéis de madeira para produção de móveis. “A maior demanda está nos móveis à base de pinus, com bom mercado na Europa e EUA. Produtos à base de painéis encontram mais mercado nos países da América do Sul”, explica.

 

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