Participação do modal ferroviário deve avançar para 30% na matriz de transportes, a partir de 2025

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O senador Lasier Martins (PSD-RS), que requereu a realização da audiência, defendeu mais investimentos em ferrovias. Foto/Agência Senado

A greve dos caminhoneiros, que paralisou o país no fim do mês passado, evidenciou a dependência do modal rodoviário para transporte de cargas. Em audiência pública na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), foi discutida a diversificação de transportes para escoamento da produção.

Hoje, 65% do transporte de cargas são atendidos pelas rodovias contra 15% por ferrovias, 11% por cabotagem e 5% por hidrovias. O diretor do Departamento de Infraestrutura de Logística do Ministério do Planejamento, Otto Luiz Burlier, observou que o orçamento, de cerca de R$ 10 bilhões, é igualmente concentrado na manutenção e recuperação de rodovias. Diante da limitação orçamentária, Burlier avalia que é preciso buscar mais investimentos da iniciativa privada. “Não temos condições de investir em todos setores, temos que priorizar”, afirmou.

O diretor do Departamento de Gestão Estratégica do Ministério dos Transportes, Rodrigo Cruz, também defendeu a revisão do papel do Estado no setor. Segundo ele, é preciso avançar em uma rede de transportes que se complemente, diminuindo a dependência do modal rodoviário. “Isso trará menor vulnerabilidade a paralisações como enfrentamos recentemente. Tão importante quanto diversificar nossa matriz de carga é fazer com que a matriz possa operar no que é mais adequado”, pontuou.

A aposta do Ministério dos Transportes é de que, a partir de 2025, com as renovações de contratos de concessões e conclusão de obras, a participação do modal ferroviário no transporte de cargas avance de 15% para 30%. “Acreditamos que se tenha um ganho de 15% no montante de cargas transportadas pelo transporte ferroviário e a diminuição de 65% para 50% do modal rodoviário”, estimou Cruz.

Segundo o gerente jurídico da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, Regis  Dudena, a prorrogação dos contratos de cinco concessionárias, que está em análise no momento, vai representar investimentos de R$ 25 bilhões nos próximos cinco anos, o que vai ajudar a desafogar a logística.

“Esses 25 bilhões vão servir para a ampliação de capacidade das vias, tecnologia, construção de novos trechos e ramais e ampliação e modernização da frota”, apontou.

Dudena e o diretor de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação e Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fabiano Pompermayer, destacaram outras vantagens do transporte feito por ferrovias, como menor emissão de poluentes, maior segurança e frete mais barato em comparação ao modal rodoviário.

O senador Lasier Martins (PSD-RS), que requereu a realização da audiência, defendeu mais investimentos em ferrovias. “Quando ocorreu a greve dos caminhoneiros, houve uma espécie de clamor nacional. As pessoas diziam a mesma coisa:  o país precisa de transporte ferroviário”, disse Martins. (Agência Senado)

 

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