Porto de Rio Grande fraciona dragagem para respeitar contratos internacionais

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Crédito: Divulgação

A Superintendência do Porto de Rio Grande tem até fevereiro para encaminhar ao Ibama um Plano de Dragagem específico para eliminação de pontos críticos localizado no canal de acesso, já devidamente identificados pela praticagem da barra. O volume de retirada de sedimentos nesta primeira fase será conhecido em breve, após estudo de batimetria, mas deverá se situar bem abaixo dos 18 milhões de metros cúbicos previstos na licitação completa da dragagem de manutenção.

A Suprg corre contra o tempo para obter autorização do órgão ambiental o mais rápido possível para iniciar os trabalhos de retirada dos detritos. O objetivo é fazer cumprir cláusula nos contratos com armadores internacionais que prevê calado de 12,80 metros para movimentação segura nas operações de entrada e saída de navios, principalmente de graneleiros, que a partir de abril começam a embarcar a safra de soja gaúcha.

Questão estratégica

“Todo empenho é para que os 12,80 metros sejam mantidos”, disse o superintendente de Rio Grande, Janir Branco. Como o Plano de Dragagem para esta etapa precisa passar pelo comitê de análise do Ibama, o executivo prefere não fazer previsões sobre o início dos trabalhos. “Atendemos todas as condicionantes do Ibama para obter a autorização”, comenta, acrescentando que a dragagem pode ser executada paralelamente ao tráfego de navios.

Embora esteja empenhado em dar respostas para quem optou por Rio Grande, Branco tem pela frente outro desafio: obter os recursos do governo federal. Conforme a Modal adiantou, o ministério dos Transportes não previu no orçamento de 2018 os quase R$ 400 milhões referentes a retirada dos 18 milhões de metros cúbicos. “Foi uma questão estratégica”, argumentou o superintendente de Rio Grande, após contato com o diretor de Gestão do ministério, em Brasília.

Em busca de novos projetos

De acordo com Branco, foram colocados apenas R$ 30 milhões para garantir a dotação orçamentária. Tão logo seja dada a liberação ambiental há dois caminhos para obtenção dos recursos: um é o ministério do Planejamento promover remanejamento de verba interna; o outro é o mesmo ministério do Planejamento autorizar o ministério dos Transportes a realocar recursos do seu orçamento, obras que não vão iniciar neste ano devido, por exemplo, pela falta de preenchimento das condições legais.

Vencida esta primeira etapa, o porto de Rio Grande terá condições de cumprir o restante da dragagem com prazo mais dilatado. “O esforço que estamos fazendo é para garantir os 12,80 metros de calado. Com a dragagem completa vamos passar para 14 metros de calado, será o maior do Brasil”, assegura o superintendente, acrescentando que o porto estará em uma situação confortável para buscar novos projetos.

Mais espaço para a GM

Nessa linha, o superintendente avisa que não haverá reajuste das tarifas portuárias em 2018. “Na verdade, não vejo espaço para elevar as tarifas”, informa Branco, que deseja transformar esta atitude em fator de atratividade para realizar novos negócios. No biênio 2016/2017 ocorreu o escalonamento de um aumento de cerca de 31%, acertado em 2015, para cobrir defasagem acumulada.

Conforme Branco, a General Motors procurou a Suprg para negociar a área ocupada pela Queiroz Galvão para armazenar seus veículos, pois em determinados períodos do ano o pátio atual – com capacidade para seis mil unidades – fica sobrecarregado. O novo espeço tem condições de abrir dois mil veículos. Será criada uma PPP (Parceria Público Privada) para viabilizar a parceria.

Movimento de carga cresce 7,8%

O porto gaúcho encerrou o ano de 2017 com crescimento de 7,8% na movimentação de cargas em relação ao ano anterior, totalizando 41,196 milhões de toneladas, recorde pelo segundo ano consecutivo. O desempenho foi puxado pelos graneis sólidos (soja em grão, farelo de soja, fosfato e trigo), com alta de 9,1% sobre 2016, representatividade de 61% na movimentação geral. Para 2018, o superintendente espera repetir números parecidos. “Se houver redução, será um percentual muito baixo”, imagina.

Os terminais privados – Bianchini, Brasken, Tecon, Pier, Tergasa, Termasa, Bungue e Yara – responderam por 83,9% do total movimentado em Rio Grande em 2017. Os 14,9% restantes foram no Porto Novo, mantendo, praticamente, a mesma proporção do ano anterior. O Porto de Porto Alegre registrou 1,0 milhão de toneladas, crescimento de 1,34% em relação a 2016. Pelotas alcançou 889 mil toneladas. A alta de 223% é devido ao início das operações da CMPC entre Guaíba, Pelotas e Rio Grande ter ocorrido no último trimestre de 2016.

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