Setor vinícola espera por 2018 para impulsionar vendas no mercado interno

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O setor vitivinícola deve fechar 2017 comercializando algo em torno de 20 milhões de litros de vinhos finos no mercado interno. Este volume é praticamente uma repetição de 2016, com 19,2 milhões de litros, cujo desempenho representou queda de 2,86% em relação a 2015. Depois de dois anos em baixa, as expectativas de um retorno promissor se voltam para 2018. “Estamos trabalhando com um crescimento entre 5 e 10% para o próximo ano”, projeta Dirceu Scottá, presidente do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho).

Além de apontar a situação econômica como motivo para o fraco comportamento do setor, o dirigente destaca também a carga tributária e o Custo Brasil. “A carga tributária no Brasil é burocrática. Pega o exemplo do ICMS. Temos 27 tabelas”, salienta Scottá. Na média, ao abrir a garrafa de um vinho nacional, entre 50% e 57% é formada por tributos. “O nosso vinho mais caro não chega a metade do vinho mais caro que vem de fora”, compra o presidente do Ibravin.

Simplificar o consumo

A venda de vinhos e espumantes nacionais no mercado interno poderia ser bem maior caso o consumidor tivesse cultura de degustar a bebida fora dos padrões convencionais. “Nos últimos vinte anos a qualidade do vinho brasileiro deu um salto extraordinário de qualidade e quem diz isso não somos nós, mas boa parte da comunidade vitivinícola internacional”, assinala Ademir Brandelli, proprietário da vinícola Don Laurindo, situada no Vale dos Vinhedos, na serra gaúcha. “O problema é que falta comunicar essa evolução junto ao consumidor. Dizer para ele que o nosso vinho não dá mais dor de cabeça. É preciso simplificar o hábito de consumir”, sugere o empresário.

Um dos maiores desafios do setor é elevar o consumo per capita de vinhos e espumantes que há mais de quatro décadas se mantém na faixa entre 1.7 e 2.0 litros por habitante. No Uruguai é de 20.4 litros por habitante, na Argentina 24,1 e no Chile 17.0 litros. No Rio Grande do Sul a média chega a 9 litros per capita/ano, enquanto que na serra gaúcha chega a 20 litros. “Ainda hoje, as pessoas acreditam que o vinho estrangeiro é melhor que o nacional, não por qualidade, mas por acharem mais chic. Precisamos combater esse preconceito”, alerta Ademir Brandelli.

Enoturismo aproxima

Uma das formas de aproximar o consumidor do vinho tem sido o enoturismo, o que na visão de Juarez Valduga, presidente do grupo Valduga (também localizado no Vale dos Vinhedos), obteve sucesso graças a maneira como os donos das vinícolas recebem os visitantes. “Eu antes reclamava das pedras, do terreno acidentado, da poeira, do clima. Hoje agradeço”, diz o empresário, acrescentando que o Vale dos Vinhedos é referência na América Latina. Segundo ele, nos melhores anos o Vale recebeu 400 mil turistas, nos piores, 200 mil.

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