Solução para os caminhoneiros passa pela inclusão de temas ignorados na greve de maio

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Crédito: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O empresário Sérgio Gabardo, dono da Transportes Gabardo, uma das maiores do País, conhece como poucos a realidade das nossas estradas. É muito bem informado sobre o que acontece em cada ponto das rodovias brasileiras, hábito que vem desde os tempos em que foi caminhoneiro. Para ele, o governo tem a chance de afastar de vez os rumores de um eventual segundo movimento de paralisação. A fórmula é bem simples: o governo reúne as lideranças que participaram da primeira negociação, reconhece que errou e discute um outro modelo.

“A situação ficou inviável para motoristas de empresas e autônomos pelo alto custo dos combustíveis. Isso é um fato, mas desde o começo, as negociações foram conduzidas por pessoas que não entendiam do assunto. Os motoristas queriam apenas algumas gotas de água. Aí surgiu uma tabela antiga e se complicaram. Um tiro errado”, comenta Gabardo, para quem, se fosse fixado reajuste hipotético de 15% sobre o valor do frete praticado até então, isso deixaria os motoristas satisfeitos. “Não seria aplicação linear, para todo o Brasil. Talvez por regiões”, sugere.

Multas fantasmas

O empresário avalia que as negociações dos caminhoneiros poderiam tomar outro rumo caso fosse colocado no debate outros temas que afetam diretamente a categoria. Um ponto importante são as multas emitidas pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Multas que, na visão de Gabardo, não existem. “A ANTT lança multa de R$ 5 mil por evasão de balança sem a gente ter culpa. Não existe evasão de balança. Nós não temos excesso de peso e aí vem a multa porque apareceu a luz verde para nós e a ANTT diz que não era verde”, informa o empresário.

Outro tema relevante é a criação de uma linha de financiamento destinada a renovação da frota. “Se continuar mexendo naquela ferida, vai doer mais. Temos que entrar com outras soluções. Vamos começar renovando a frota, que é reivindicação antiga. Tem caminhão com 30 anos de uso que não pode sair do estado, de 40 anos que não pode sair do município. É preciso criar uma proposta diferente”, defende, lembrando ainda a preocupação com o roubo de carga, que além de gerar problemas psicológicos para os motoristas, se reflete na elevação das taxas das seguradoras e no custo de compra de equipamentos rastreadores.

É preciso acertar

“O que se viu foi a força do movimento e que pode acontecer de novo. Tenho medo de uma nova greve venha à tona por causa de temas que não foram colocados na primeira vez”, ressalta o empresário. No seu entender, ao invés do governo manter a redução do preço do diesel em R$ 0,46 até o final desse ano, deveria estender por um ano. “E ainda criar uma tabela nova para frete, dentro da realidade. Ela não poderia ter sido jogada, assim, no ar, como aconteceu. Alguns valores deveriam sofrer reajustes, mas não pode ser tão alto como foi. Agora é na base do diálogo, dizer para o governo: precisamos acertar”, disse.

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