Em entrevista exclusiva à Revista Modal, Patrícia Herrera, gerente-geral da MOBA Latinoamerica e da MOBA do Brasil, subsidiária da empresa alemã MOBA Mobile Automation, analisa o papel da tecnologia embarcada, a superação dos gargalos na mão de obra e os fatores que impulsionam os investimentos no setor de máquinas pesadas
A busca por maior eficiência operacional, aliada a exigências crescentes de qualidade em contratos de concessão rodoviária, tem acelerado a adoção de tecnologias de automação no setor de infraestrutura no Brasil. Segundo Patrícia Herrera, o setor passa por uma transformação contínua, impulsionada por margens de lucro cada vez mais estreitas e pela necessidade de execução sem retrabalho.
Para a executiva, a consolidação dessas soluções passa diretamente pela conscientização em torno do IRI (International Roughness Index ou Índice de Irregularidade Internacional). Métrica globalmente aceita na engenharia viária, o IRI avalia a suavidade e a regularidade longitudinal do pavimento: quanto menor o índice apurado, mais lisa é a pista, resultando em ganhos diretos de segurança, economia de combustível e conforto para os usuários.
Simplicidade operacional para superar gargalos de capacitação
Um dos fatores decisivos para o crescimento exponencial da automação na pavimentação — com destaque para sistemas consagrados como o Big Sonic-Ski® e o Super-Ski® — é a facilidade de uso na ponta do processo.
“Trata-se de uma tecnologia muito simples de se aplicar. O controlador do sistema possui quatro botões, mas o operador lida ativamente com apenas dois no dia a dia, ficando o restante destinado às configurações de sistema“, explica Patrícia Herrera.
Essa usabilidade amigável permitiu ao mercado contornar uma das principais barreiras estruturais do setor no Brasil: a escassez de mão de obra qualificada. Se no início das exigências de IRI por parte das concessionárias muitas construtoras relutaram ou enfrentaram dificuldades operacionais, a curva de aprendizado acelerada provou que a tecnologia atua como aliada do operador, permitindo a formação rápida até mesmo de profissionais mais novos.
Gargalos estruturais: custos de importação e formação técnica
Embora a aceitação do mercado seja hoje significativamente maior do que na década passada, desafios relevantes persistem. Por não ser fabricada nacionalmente, a tecnologia de automação embarcada ainda carrega o peso dos custos de importação. Além disso, a manutenção e a operação avançada dessas soluções exigem perfis profissionais multidisciplinares.
“Para trabalhar com tecnologia embarcada em equipamento pesado, o profissional precisa transitar por mecânica, eletrônica, elétrica e execução de obras. É um perfil complexo de formar”, pondera a gerente-geral.
Ela ressalta, contudo, que o aumento da frota de máquinas automatizadas em campo cria um círculo virtuoso: à medida que a demanda cresce, instituições e escolas técnicas são estimuladas a desenvolver grades curriculares focadas em automação para máquinas pesadas.
Resiliência do mercado e otimismo
Apesar das incertezas típicas que costumam desacelerar os investimentos em anos eleitorais, a MOBA registra um desempenho sólido. Pesquisas recentes e indicadores do setor de construção mostram que as construtoras estão destinando percentuais significativamente maiores de seus orçamentos para a digitalização e a automação do que em anos anteriores.
“A mudança no perfil do cliente é visível. As barreiras culturais observadas por volta de 2010 foram superadas por uma visão orientada à produtividade, onde errar na primeira execução já não é uma opção viável do ponto de vista financeiro”, afirma Patrícia.
Valorização das melhores práticas: O Prêmio IRI
Para reconhecer e incentivar obras rodoviárias que atingem os mais altos padrões de qualidade técnica na América Latina, a MOBA Brasil criou em 2024 o Prêmio IRI. A premiação destaca empreendimentos que obtêm os menores índices de irregularidade longitudinal com o apoio dos sistemas de nivelamento da marca, reforçando a premissa de que a tecnologia é a chave para uma infraestrutura rodoviária duradoura e eficiente.


