A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deu sinal verde nesta segunda-feira à Concessionária Motiva RioSP para a criação do seu primeiro “Corredor Logístico Sustentável”, marcando um avanço nas iniciativas do governo brasileiro para modernizar e descarbonizar a infraestrutura de transportes do país.
A operadora foi declarada vencedora do edital do ambiente regulatório experimental — o chamado sandbox —, que permitirá o teste e a implementação de tecnologias emergentes no trecho concedido da BR-116/RJ/SP (Rodovia Presidente Dutra), a principal artéria rodoviária que conecta as duas maiores metrópoles do país.
O plano da Motiva RioSP obteve 145 pontos, superando com folga o limite mínimo de 80 pontos exigido pelos reguladores. Única participante do certame, a empresa atendeu aos 15 critérios de avaliação estipulados pela comissão da ANTT.
A iniciativa está estruturada em três eixos estratégicos:
Eletromobilidade: Eletrificação gradual das frotas operacional e administrativa da concessionária, acompanhada pela instalação de pontos de recarga para veículos elétricos e híbridos ao longo da rodovia.
Integração logística: Integração das operações rodoviárias às rotas marítimas via Porto de Itaguaí (RJ), visando otimizar o fluxo de cargas e reduzir os custos de transporte.
Desenvolvimento territorial sustentável: Ações de impacto socioeconômico e ambiental voltadas aos municípios situados na zona de influência da rodovia.
A aprovação concederá à concessionária uma autorização temporária para operar sob regras simplificadas de testes. Durante o período experimental, a ANTT monitorará de perto o desempenho e os resultados do projeto. O objetivo da autarquia é reunir dados e evidências concretas que possam embasar futuras reformas regulatórias.
O principal eixo produtivo do país
A importância econômica do Corredor Logístico Sustentável na Rodovia Presidente Dutra (BR-116/RJ/SP) se consolida na interseção entre o principal eixo produtivo do país, a integração com a infraestrutura portuária e a modernização da regulação de transportes.
A BR-116 conecta as regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro, cortando o Vale do Paraíba — uma das zonas industriais de maior densidade do continente. Por essa artéria circula aproximadamente metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, transportando insumos e produtos de alto valor agregado. Qualquer ganho de eficiência operacional, fluidez no tráfego ou redução no tempo de viagem nesse trecho produz um impacto cascata imediato na competitividade da indústria e do comércio nacional.
A inclusão do Porto de Itaguaí na equação logística amplia esse alcance. Itaguaí figura entre os principais portos do país na movimentação de granéis sólidos, derivados siderúrgicos e contêineres. A integração física e operacional entre a rodovia concedida e o terminal portuário ataca diretamente o chamado “Custo Brasil”, reduzindo gargalos nos acessos terrestres, diminuindo o tempo de espera de veículos pesados para transbordo e barateando as etapas de importação e exportação de mercadorias.
O caminho para a descarbonização do transporte rodoviário de cargas
Do ponto de vista operacional e energético, a eletrificação progressiva da frota da concessionária e a criação de uma rede de infraestrutura de recarga para veículos elétricos e híbridos pavimentam o caminho para a descarbonização do transporte rodoviário de cargas. Embora a transição de frota exija investimento inicial em capital, o menor custo por quilômetro rodado e a manutenção reduzida dos motores elétricos em comparação ao diesel oferecem ganhos de produtividade expressivos para o setor de transportes no longo prazo.
Por fim, o uso do mecanismo de sandbox regulatório pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) transforma o corredor em um laboratório institucional. Ao autorizar testes de tecnologias, precificações e novos arranjos operacionais sem as rigidez dos contratos tradicionais, o regulador coleta dados concretos em tempo real. As evidências obtidas na BR-116 servirão de parâmetro para as próximas rodadas de concessões e revisões contratuais no país, permitindo que a inovação testada no trecho Rio–São Paulo seja multiplicada para a malha rodoviária nacional.


