Mudanças climáticas e novas tecnologias exigem pavimentos mais resistentes no país, diz Agnaldo Agostinho

Manutenção de rodovias

Com o avanço do novo método de dimensionamento nacional (MEDINA), a utilização da metodologia Superpave e o uso do petróleo do Pré-Sal, o setor rodoviário brasileiro passa por uma transformação profunda para garantir estradas mais duráveis

O cenário da infraestrutura rodoviária global e brasileira vive uma transformação sem precedentes, impulsionada pelo avanço dos fenômenos climáticos extremos. De ondas de calor capazes de amolecer o asfalto no continente europeu a volumes pluviométricos devastadores no Sul do Brasil, a engenharia rodoviária tem sido forçada a reformular integralmente os métodos tradicionais de projetos e de pavimentação das rodovias.

Diante dessa nova realidade, o setor passa por um momento decisivo em que coincidem múltiplos fatores de mudança, como a introdução do novo perfil de petróleo da Petrobras derivado do Pré-Sal, as discussões sobre o novo método de dimensionamento nacional e a iminente atualização das especificações do asfalto.

Como destaca Agnaldo Agostinho, gerente técnico da Brasquímica — empresa que detém cerca de 12% do mercado nacional de asfalto e figura entre as principais associadas da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Asfalto (ABEDA) —, a velocidade dessas transformações exige uma postura renovada para entregar pavimentos mais fortes e de melhor custo-benefício à sociedade.

Durabilidade da rodovia

“A durabilidade de uma rodovia depende fundamentalmente da interação entre a estrutura do pavimento e a qualidade do ligante asfáltico, o betume que une os agregados. Com a temperatura da pista ultrapassando frequentemente os 50 °C em diversas regiões do país, torna-se essencial aumentar o ponto de amolecimento do material para evitar a deformação permanente e o derretimento do revestimento nos dias mais quentes”, enfatiza Agostinho.

Ao mesmo tempo, para enfrentar o desgaste acelerado causado pela umidade excessiva e pelas chuvas fortes, o ligante precisa ser aprimorado com polímeros e aditivos de adesividade, aumentando sua resistência à fadiga. Associado a isso, o cálculo correto da espessura da camada de asfalto, considerando, peso temperatura da pista e o volume do tráfego, garante que o investimento inicial se traduza em longevidade, acrescenta o técnico.

 

Agnaldo Agostinho

 

Nesse contexto de modernização, Agostinho lembra que a chegada da metodologia e das especificações Superpave representa um salto tecnológico fundamental para o Brasil. Impulsionado pelo DNIT e pela Petrobras, esse sistema avalia o comportamento real do ligante asfáltico em condições severas de temperatura e operação.

A especificação leva em conta a temperatura máxima histórica da região da obra para determinar o ligante mais adequado, além de classificar a exigência do material de acordo com a carga de tráfego que a via receberá. “Esse rigor no enquadramento por classes de tráfego ajuda a padronizar e otimizar a aditivação do Cimento Asfáltico de Petróleo vindo do Pré-Sal, garantindo um desempenho superior especialmente sob a passagem constante de carretas pesadas”.

Custo-benefício

Agostinho defende que embora o desenvolvimento e a aplicação de asfaltos aditivados de maior valor agregado exijam um aporte financeiro inicial mais elevado, o custo-benefício do processo se consolida plenamente ao longo do ciclo de vida da rodovia. “O investimento concentrado no momento da construção é compensado por uma expressiva redução nos serviços de manutenção corretiva e operações de tapa-buracos. Para os usuários das estradas, o ganho reflete-se em vias mais seguras, menor desgaste dos veículos e uma significativa diminuição no número de interrupções do trânsito para obras, reduzindo o estresse no transporte de passageiros e os custos logísticos do escoamento de cargas”.

Sobre a implantação dessa tecnologia, Agostinho diz que já é uma realidade em pleno andamento no país. Parâmetros da metodologia Superpave vêm sendo adotados progressivamente pelo governo, enquanto fóruns como a Comissão de Asfaltos do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás trabalham no aprimoramento normativo contínuo.

Do lado da cadeia de suprimentos, empresas distribuidoras reguladas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a exemplo da Brasquímica, já estruturaram seus laboratórios com equipamentos reológicos de ponta, além de oferecerem suporte técnico e treinamentos ao mercado.

“A indústria nacional encontra-se capacitada e pronta para produzir e entregar ligantes especiais que atendam aos rigorosos parâmetros globais de resistência, garantindo rodovias preparadas para as exigências do clima e do transporte do futuro”, garante o gerente técnico da Brasquímica.

 

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