O fluxo de veículos nas rodovias pedagiadas do Brasil apresentou avanço de 2,6% em agosto na comparação com julho, já ajustado pelos efeitos sazonais, segundo dados do Índice ABCR divulgados nesta quinta-feira (10). O indicador, elaborado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias em parceria com a Tendências Consultoria, sinaliza fôlego continuado da atividade econômica no país, puxado sobretudo pela mobilidade das famílias e pelo desempenho do agronegócio e da indústria.
O ritmo do crescimento rodoviário foi liderado pelo segmento de veículos leves, que saltou 2,8% no mês, recuperando integralmente as perdas acumuladas entre maio e junho. O movimento coincide com o encerramento do recesso escolar de julho e a volta às aulas. Já o tráfego de veículos pesados — um termômetro direto do transporte de carga e do ritmo industrial — registrou uma alta mais modesta, de 0,7% na margem.
Na comparação com agosto de 2025, o tráfego total nas estradas brasileiras avançou 2,7%, impulsionado por altas de 3,0% nos automóveis leves e de 1,9% nos pesados. No acumulado dos últimos 12 meses, a expansão geral soma 2,2%, com destaque para os pesados, que cresceram 2,5%, ante 2,1% dos leves. No ano, a média acumulada é de 1,8%.
Segundo os analistas Thiago Xavier e Felipe Melchert, da Tendências Consultoria, a demanda por viagens de automóveis de passeio reflete a resiliência do mercado de trabalho nacional, a criação contínua de empregos e o ganho real na massa salarial das famílias. Contudo, os economistas ponderam que o custo do crédito elevado, os juros mantidos em patamares restritivos e o alto nível de endividamento do consumidor continuam impondo um teto para uma expansão mais acentuada da mobilidade doméstica.
No transporte comercial de cargas, a retomada da margem reflete o escoamento contínuo da produção industrial e das safras agrícolas, com destaque para a segunda safra de milho e a movimentação de soja. Todavia, a rentabilidade do setor segue pressionada pelos altos custos operacionais, incertezas quanto ao preço dos combustíveis e aperto no financiamento.
Disparidade regional
Os dados estaduais do índice revelam dinâmicas distintas entre as duas maiores economias do Sudeste.
Em São Paulo, o tráfego rodoviário acelerou fortemente, registrando alta de 4,3% em agosto ante julho no dado dessazonalizado. O avanço foi impulsionado por um salto de 5,0% na circulação de veículos leves e um ganho de 1,0% nos pesados. Na comparação anual contra agosto de 2025, o fluxo paulista cresceu 2,9%, acumulando alta de 1,8% nos últimos 12 meses e 1,3% no ano.
Em sentido oposto, o Rio de Janeiro registrou uma retração de 3,8% no tráfego total em relação a julho, sob impacto do recuo de 4,2% no tráfego de automóveis leves e de 0,4% entre os veículos pesados. A despeito do tombo mensal, o estado fluminense ainda preserva terreno positivo no confronto interanual: o índice avançou 2,5% frente a agosto do ano passado e acumula expansão de 2,6% nos últimos 12 meses, com alta de 3,1% no acumulado de 2026.


