Quando Vilson Flores — geólogo com bagagem em tecnologia na CEEE e na Olvebra — ao fundar a e.Sales começou a conectar computadores pela internet em 1995, com transportadoras locais, o conceito de “software como serviço” mal existia no vocabulário corporativo brasileiro.
A virada de chave no modelo de negócios ocorreu quando a empresa conquistou seus primeiros clientes no setor de logística. Na época, a Expresso Mercúrio, uma das maiores transportadoras do país com cerca de 80 filiais, buscava interligar suas unidades e Centros de Distribuição à matriz. Como a infraestrutura disponível — o sistema STM 400 da Embratel — era extremamente onerosa, a e.Sales desenvolveu uma solução pioneira de comunicação de dados via internet. O mecanismo substituiu o processo anterior, eliminou a troca manual de arquivos e reduziu drasticamente os custos operacionais da transportadora.
A partir desse caso de sucesso, a empresa expandiu sua presença na cadeia de suprimentos, conectando indústrias como a Calçados Beira Rio a amplas redes de distribuidores por meio de soluções centralizadas na web. Essa transição consolidou a empresa como uma referência em integração de dados e inteligência logística no país.
Diretriz
Três décadas após a sua fundação, o Grupo e.Sales — sediado em Porto Alegre — vivencia uma etapa de maturidade e disciplina operacional. Em um cenário econômico desafiador, marcado pelo alto custo do capital e incertezas externas, a companhia promoveu em 2025 uma profunda reorganização de processos, caixa e estrutura. Esse movimento seguiu-se à reestruturação societária concluída no final de 2024, quando o grupo efetuou o desinvestimento da OObj, empresa especializada em documentos fiscais eletrônicos (DFes) nascida dentro da própria e.Sales.
Com essa reorganização, a diretriz estabelecida para 2026 foca na rentabilidade, na geração de caixa e na redução do endividamento, preparando os alicerces operacionais para um ciclo de crescimento acelerado a partir de 2027. Para o exercício de 2026, o grupo projeta alcançar um faturamento de R$ 42 milhões — o que representa uma expansão de 10% —, sustentado por uma margem EBITDA de 30%.
Atualmente, a receita da eSales é diversificada em cinco grandes pilares: Logística (25%), Tecnologia (25%), Supply Chain (20%), Governo (15%) e Meios de Pagamento (15%). Essa infraestrutura de atendimento cobre quatro dessas cinco unidades diretamente (excluindo Governo). A manutenção desse crescimento com rentabilidade é impulsionada por motores de receita como a plataforma Sollara, a inteligência sobre dados internos, consultorias especializadas e serviços de BPO.

Equipe completa da e.Sales
Carteira de clientes
A relevância da e.Sales reflete-se na sua carteira de 1.200 clientes corporativos entre indústrias, varejistas e operadores logísticos, destaca Alexandre Santos, diretor de estratégia e sócio da empresa. Apenas no ecossistema logístico de seus 240 embarcadores, a plataforma gerenciou R$ 5,20 bilhões em mercadorias em agosto de 2026, ante R$ 4,65 bilhões em julho. No mesmo período, foram monitoradas 614 mil notas fiscais (alta de 13,3%), mantendo um índice de pontualidade de entregas (OTD) de 91,4%. Além disso, a plataforma atua no monitoramento ambiental, estimando a emissão de 6.498 toneladas de CO₂e no transporte dessas mercadorias em agosto, pontua Wilson Abdala, diretor de logística da e.Sales.
Estratégia IA-First e inovação
Para suportar a inovação contínua, a empresa reinveste anualmente 20% do seu faturamento bruto em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D), contando ainda com aportes e financiamentos de fomento tecnológico em parceria com a Finep direcionados a SaaS, inteligência artificial, engenharia de dados e cibersegurança.
Frente aos desafios de infraestrutura e à necessidade de reconstrução das cadeias de suprimento no Sul do país após eventos climáticos severos, a empresa executa uma transformação institucional. Ao adotar o conceito IA-first na arquitetura de seus produtos e processos internos, a companhia converte seu histórico de dados e ativos de conhecimento em serviços preditivos e soluções de inteligência, consolidando a tecnologia como a base para a eficiência operacional de seus clientes no Brasil e no exterior.
“Todavia, essa transformação não deve se resumir ao uso da inteligência artificial. Ela muda a empresa como um todo dado o fato de que passamos a compreender melhor o valor dos nossos dados, dos nossos ativos e de todo o conhecimento acumulado ao longo de nossa história”, enfatiza Santos.
“Mais do que incorporar IA aos nossos produtos, estamos construindo uma nova forma de ser e.Sales”, completa.


