O setor hidroviário brasileiro não apenas cresceu em 2025; ele mudou de patamar. Dados consolidados pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) revelam que o país movimentou a marca histórica de 1,4 bilhão de toneladas, um avanço de 6,1% em relação ao ano anterior.
A força das commodities permanece como a base do volume total, mas é a diversificação que sinaliza o novo momento da economia: O agronegócio deu um salto de 14% (139,7 mi/t), acompanhado pelo aumento na demanda de insumos. Com alta de 10,2% (15,3 milhões de TEUs), o transporte de produtos manufaturados via contêineres reflete o fortalecimento do mercado interno e da cabotagem nacional.
O minério de ferro garantiu a liderança absoluta com 425,8 milhões de toneladas, garantindo o fluxo constante do longo curso.
A pesquisa detectou um aumento de 19,7¨na navegação interior, com 91,3 milhões de toneladas, enquanto a cabotagem evolui 3,4% ,movimentando 303,7 milhões de toneladas.
A projeção é de que o Brasil alcance 1,44 bilhão de toneladas já neste ano, com a meta ambiciosa de romper a barreira de 1,59 bilhão até 2030.

Migração
A migração do modal rodoviário para o hidroviário gera economias que variam de 15% a 30% no custo total de transporte, dependendo da distância e do tipo de carga. Enquanto um caminhão bitrem carrega cerca de 37 toneladas, um navio de cabotagem moderno pode transportar milhares de contêineres. O consumo de combustível por tonelada transportada é drasticamente menor, diluindo o impacto das oscilações do preço do diesel nos custos fixos da indústria.
Setores como eletrônicos, linha branca (eletrodomésticos) e vidros registram índices de sinistralidade e avarias próximos de zero na cabotagem, além de menor risco de roubo de carga e acidentes resulta em apólices de seguro mais econômicas para o embarcador industrial.
Grandes indústrias utilizam o tempo de trânsito do navio como uma extensão estratégica de seus armazéns. Redução de Custos de Armazenagem: Em vez de manter grandes estoques parados em centros de distribuição caros , a carga “mora” no navio durante o trajeto, chegando ao destino conforme a demanda planejada.
Com a pressão crescente por metas de descarbonização, a cabotagem emite até 4 vezes menos CO2 por tonelada transportada do que o modal rodoviário.
Para indústrias exportadoras, o uso da cabotagem melhora o índice de sustentabilidade do produto final, facilitando a entrada em mercados internacionais rigorosos e o acesso a linhas de crédito “verde”.


