O Grupo CPFL Energia , impulsionado pela urgência em garantir resiliência climática e expandir seus ativos, para este ano de 2026, a holding desenhou uma estratégia agressiva que coloca o RS como o principal destino de seus recursos corporativos: do plano de investimentos consolidado de R$ 6,3 bilhões previstos para todas as operações da empresa no Brasil, cerca de R$ 3 bilhões — quase metade do orçamento nacional — estão sendo injetados diretamente no estado por meio da distribuidora RGE (Rio Grande Energia).
Diante do histórico recente de eventos climáticos severos no estado, a concessionária tem priorizado o que classifica como uma “engenharia de blindagem”. Após concluir recentemente um grande ciclo de R$ 1,6 bilhão focado puramente em automação, a companhia abriu novas frentes para reforçar a rede física que atende 381 municípios gaúchos. O principal alvo dessa modernização é a erradicação dos postes de madeira, considerados o calcanhar de Aquiles das redes do interior. Atualmente, essas estruturas representam 20% do parque total de 2 milhões de postes da empresa, mas a meta é substituí-las integralmente por materiais de concreto e fibra nos próximos três a quatro anos, mitigando as quedas de energia durante os temporais.
A atuação da CPFL no Rio Grande do Sul, contudo, já extrapola a distribuição convencional. Após consolidar a operação da antiga CEEE Transmissão, adquirida em 2021, a empresa formalizou um novo avanço físico na infraestrutura do estado. A companhia assinou contrato junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a execução das obras do Lote 3 do Leilão nº 4/2025, o que representa um investimento adicional de R$ 1 bilhão. Trata-se da construção de um robusto complexo de linhas de transmissão e subestações projetado para aumentar a confiabilidade energética da Região Metropolitana de Porto Alegre e melhorar o atendimento de cargas no Noroeste gaúcho. O prazo regulamentar para a conclusão é de 48 meses, mas a presidência do grupo, liderada pelo CEO Gustavo Estrella, atua para agilizar os licenciamentos ambientais e fundiários a fim de antecipar a entrega operacional do sistema.
A prioridade dada ao mercado gaúcho está alinhada ao novo plano plurianual da companhia para o período de 2026 a 2030, que elevou o teto histórico de investimentos da holding. O grupo projeta um orçamento global de R$ 31,1 bilhões em bens de capital (Capex) para os próximos cinco anos, superando o ciclo anterior. Desse montante, mais de R$ 25 bilhões abastecerão exclusivamente o segmento de distribuição em nível nacional, tendo como principal vetor tecnológico o avanço da telemedição, com a meta de instalar mais de 2 milhões de medidores inteligentes na base de clientes.
Para suportar esse volume recorde de obras físicas e de modernização, a estratégia da CPFL exigiu captações agressivas no mercado financeiro, viabilizadas por emissões bilionárias de debêntures chanceladas com classificação de risco AAA pela agência Fitch. A holding admite que a intensidade dos investimentos causará uma leve pressão em sua alavancagem financeira nos próximos anos, mas assegura que o endividamento se mantém sob rígido controle, com prazos alongados e custos devidamente atrelados ao CDI.


