Impulsionado pela convergência de recursos públicos do governo do estado, aportes federais do Dnit e o plano de expansão da concessionária privada Caminhos da Serra Gaúcha (CSG) a Serra Gaúcha vive ciclo histórico de investimentos em infraestrutura viária e resiliência climática. A união desses esforços soma bilhões de reais direcionados para reconstruir, modernizar e blindar as conexões logísticas que sustentam a economia do Rio Grande do Sul.
No âmbito estadual, o executivo destinou mais de R$ 1 bilhão do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) para a região, montante que representa mais de um terço de todo o recurso aplicado em estradas após os eventos climáticos extremos.
Sob a supervisão da Secretaria de Logística e Transportes e do Daer, frentes de engenharia executadas por construtoras como o Grupo Sultepa, Construtora Sintra e empresas associadas ao SICEPOT-RS atuam em mais de 300 quilômetros de rodovias.
As obras incluem novo pavimento, sinalização moderna, reestruturação geométrica, além de mais de 120 contenções de encostas com cortinas atirantadas e muros de arrimo, além da construção de uma nova ponte de 155 metros para restabelecer conexões vitais.
Setor privado
Paralelamente às intervenções públicas, o setor privado acelera a ampliação da capacidade viária regional. A concessionária CSG, responsável por 271,5 km de estradas na Serra e no Vale do Caí dentro de um plano de R$ 4,6 bilhões em 30 anos, investe mais de R$ 610 milhões em dois grandes projetos estratégicos em 2026. O primeiro é a duplicação de 17,96 km da RSC-453, entre Garibaldi e Farroupilha, orçada em R$ 380 milhões e equipada com vias marginais, passarelas e cinco viadutos.
O segundo é a construção do Contorno Norte de Caxias do Sul na ERS-122, que envolve R$ 230 milhões em 10,6 km de extensão e destaca a nova Ponte sobre o Arroio Tega, com 268 metros de extensão e 32 metros de altura. Esses projetos beneficiam diretamente 752 mil habitantes de municípios como Caxias do Sul, Farroupilha, Bento Gonçalves, Garibaldi, Carlos Barbosa e Flores da Cunha, atendendo a fluxos diários que chegam a 20 mil veículos na ERS-122 e 16 mil na RSC-453.
“Estamos realizando duas das maiores obras de infraestrutura viária em andamento no Rio Grande do Sul. São investimentos estruturantes para a ampliação da capacidade das rodovias, com estradas mais seguras, eficientes e preparadas para acompanhar o crescimento econômico da Serra Gaúcha nas próximas décadas. Esses projetos representam um legado permanente para quem vive, trabalha e produz na região”, destaca o diretor-presidente da CSG, Ricardo Peres,
Dnit
Completando o pacote estruturante, o governo federal, por meio do Dnit, alocou entre R$ 870 milhões e R$ 900 milhões em seu plano plurianual focado nos corredores federais da Serra.
A maior fatia, de aproximadamente R$ 700 milhões, destina-se à reconstrução completa da BR-470 na Serra das Antas, englobando contenção de taludes e novos viadutos. Outros R$ 100 milhões contemplam a BR-116, entre Dois Irmãos e Nova Petrópolis, com intervenções de drenagem profunda, terceiras faixas e contenções críticas. Adicionalmente, entre R$ 70 e R$ 80 milhões são aplicados na manutenção e reforço de pontes e viadutos através do programa Proarte, a exemplo da recuperação da Ponte Ernesto Dornelles, informou a assessoria técnica do Dnit a pedido de Infra-RS.
Estragos foram estimados em mais de R$ 2,5 bilhões ( box)
As inundações e enxurradas de maio de 2024 provocaram estragos estimados em mais de R$ 2,5 bilhões na infraestrutura física e logística da Serra Gaúcha. A topografia acidentada da região amplificou os estragos, gerando deslizamentos de terra massivos, corridas de lama e a destruição severa de vias urbanas, pontes e rodovias.
O maior volume de danos concentrou-se na malha viária. Nas rodovias estaduais e concessionadas, o impacto ultrapassou R$ 1,3 bilhão, com o colapso estrutural de mais de 300 km de pistas sob gestão do estado e R$ 300 milhões em intervenções emergenciais da concessionária CSG para desobstrução e reconstrução de aterros.
Na rede federal, o Dnit egistrou prejuízos entre R$ 870 milhões e R$ 900 milhões, dos quais cerca de R$ 700 milhões destinaram-se apenas à BR-470 na Serra das Antas — devastada por mais de 100 pontos de deslizamento —, e R$ 100 milhões para a BR-116 devido a erosões severas entre Dois Irmãos e Nova Petrópolis.
A destruição das estruturas de suporte e o impacto urbano exigiram intervenções complexas. Dezenas de pontes foram arrastadas ou desestabilizadas, exigindo entre R$ 300 e R$ 400 milhões para a reconstrução de travessias e a execução de mais de 120 obras de contenção de encostas. Nas cidades, os prejuízos superaram R$ 200 milhões, com fraturas em vias, fissuras no solo e interrupção de sistemas de drenagem em polos turísticos e populacionais como Gramado e Caxias do Sul.
Além do custo da reconstrução civil, o colapso viário isolou a Serra Gaúcha por semanas ao interromper simultaneamente as rodovias BR-470, BR-116, ERS-122 e RSC-453. A perda de conexão direta com a Região Metropolitana e o Vale do Taquari forçou o uso de rotas alternativas precárias, elevando os custos de frete em até 400% , prejudicando severamente o escoamento dos polos metal mecânico, moveleiro, vitivinícola e turístico da região.
Resumo dos investimentos:
| Rodovia | Gestão / Fonte principal | Volume Estimado de Obras |
| ERS-122 | Privada (CSG) + estado | R$ 1,5 bilhão (com ciclo de duplicações e Contorno Norte) |
| BR-116 | Federal (Dnit) | R$ 460 milhões (foco em reconstrução de obras de arte e encostas) |
| RSC-453 / ERS-486 (Rota do Sol) | Estadual (Daer) | R$ 393 a 400 milhões (foco em restauração do pavimento e encostas) |


