O tom do setor de infraestrutura viária no Brasil não é de triunfalismo de fachada, mas o de constatação pragmática. No epicentro da pavimentação e das concessões rodoviárias, o investimento privado e as obras públicas deixaram o terreno das promessas para se tornar demandas imediatas de engenharia.
A trajetória da Paving Expo reflete essa virada de chave no mercado nacional. Após registrar recordes sucessivos e saltar de 19,8 mil visitantes em 2023 para mais de 31 mil, 300 marcas e 29 mil m² ocupados em 2025, o evento organizado pela STO Feiras consolida sua curva de crescimento e projeta para a edição de 2026 a meta de atingir 35 mil visitantes e ultrapassar a marca de 4 mil congressistas na Paving Conference.
Para Guilherme Ramos, diretor da STO Feiras, o apetite do setor se traduz no fechamento antecipado das áreas de exposição e na presença de um público com alto poder de decisão. “Não estamos falando apenas de volume, mas da qualificação do comprador que circula pela feira. A Paving Expo deixou de ser uma vitrine contemplativa para se tornar uma mesa de negociações direta, onde o presidente da concessionária e o diretor de engenharia sentam com o fabricante para definir o maquinário e as soluções que estarão no canteiro de obras no mês seguinte”, destaca Ramos.
Ciclos de negociação
Em três dias de feira, concessionárias de rodovias, órgãos públicos — como DNIT, DERs estaduais e prefeituras —, empreiteiras regionais e grandes construtoras dividem os mesmos corredores. Essa concentração encurta os ciclos de negociação, aproximando os times de engenharia, manutenção e suprimentos diretamente dos fabricantes de máquinas e insumos.
Essa maturidade comercial acompanha uma transformação acelerada na ficha técnica dos equipamentos e materiais exibidos. Impulsionadas por metas de descarbonização e exigências contratuais de ESG em licitações e concessões, as tecnologias de pavimentação incorporaram a eficiência ambiental como argumento central de vendas. “A sustentabilidade no setor de infraestrutura deixou de ser um carimbo conceitual para virar requisito de planilha orçamentária. As tecnologias apresentadas no evento precisam provar, simultaneamente, ganho de produtividade no canteiro e redução da pegada de carbono”, avalia o executivo.
Enquanto a eletrificação ganha espaço prioritário no maquinário compacto urbano, os equipamentos de grande porte avançam na eficiência de motores híbridos e na telemetria embarcada para controle de compactação e produtividade em tempo real.
A preocupação com custos de ciclo de vida em contratos de longo prazo e com a resiliência diante de eventos climáticos extremos, segundo Ramos, também redefiniu as prioridades da feira e do congresso. O pavimento de concreto consolidou seu espaço ao lado do asfalto em discussões técnicas sobre durabilidade, enquanto soluções de Revestimento Asfáltico Reciclado (RAP), aditivos rejuvenescedores, geossintéticos e tecnologias de contenção de encostas ganharam apelo comercial direto por reduzirem custos operacionais e garantirem a disponibilidade das vias.
“Faço questão de dizer uma coisa: não queremos transformar isso em briga entre asfalto e concreto. A pergunta certa é onde cada solução entrega mais, e é esse debate técnico que interessa ao nosso público”, acrescenta.
Sobre negócios, Ramos prefere repetir o que os expositores dizem, “que é a maneira mais honesta de refletir a realidade”: fecham no próprio estande, ampliam carteira e saem com agenda comercial cheia para os meses seguintes. “A feira concentra decisão. Em três dias o expositor encontra o comprador público, a concessionária, a construtora e o prestador de serviço andando no mesmo corredor”, completa.


