A infraestrutura logística do Rio Grande do Sul alcançou um novo patamar de eficiência operacional com a conclusão das obras de duplicação de um trecho crucial da BR-386. A concessionária ViaSul, do grupo Motiva, segundo nota à imprensa, liberou totalmente ao tráfego o segmento de 25,6 quilômetros situado entre os municípios de Soledade e Fontoura Xavier.
Em termos operacionais, o projeto resolve gargalos históricos de capacidade e segurança ao segregar o tráfego de longa distância — dominado pelo transporte pesado de cargas — da circulação veicular local. A previsibilidade no tempo de percurso e a redução de custos operacionais (TCO) para frotas de carga são os principais ganhos competitivos diretos da obra.
História
Historicamente batizada como a “Estrada da Produção”, a rodovia foi moldada ao longo das décadas de 1950 e 1960 para rasgar o Planalto Central Gaúcho e conectar as terras férteis do Norte e Noroeste — berço do agronegócio de grãos, da avicultura e da suinocultura — aos grandes centros de consumo da Região Metropolitana de Porto Alegre e, fundamentalmente, às rotas de exportação rumo ao Porto do Rio Grande.
Contudo, o crescimento acelerado do volume de cargas e o adensamento urbano ao longo de suas margens impuseram uma carga pesada ao traçado original. O trecho compreendido entre Lajeado, Soledade e Carazinho converteu-se progressivamente em um gargalo severo: pistas simples, curvas acentuadas e aclives pronunciados que resultavam em comboios lentos de caminhões, elevados custos operacionais de frete e índices alarmantes de acidentes.
A era da concessão
Em fevereiro de 2019, a gestão do corredor passou formalmente para a concessionária ViaSul Engenharia (hoje sob o grupo Motiva), no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). O contrato assumiu o compromisso de promover a maior transformação estrutural da história recente da BR-386: a duplicação progressiva de 225,5 quilômetros entre Lajeado e Carazinho.
O período de canteiro de obras caracterizou-se por desafios complexos de engenharia de infraestrutura. O segmento da Serra do Botucaraí, especialmente entre Soledade e Fontoura Xavier, exigiu maciças operações de corte de rocha, terraplenagem de alto volume e contenção de encostas sob severas restrições de tráfego.
A convivência entre o tráfego pesado de longa distância e a circulação local de municípios agrícolas exigiu a concepção e implantação de uma densa rede de vias marginais, passarelas e Obras de Arte Especiais (OAEs) — pontes e viadutos — para eliminar cruzamentos em nível.
A entrega total dos 25,6 quilômetros duplicados e equipados entre Soledade e Fontoura Xavier encerra uma etapa crítica desse ciclo construtivo. A implantação de 10,3 km de vias marginais, quatro OAEs, dispositivos de retorno e iluminação operacional em LED transforma o perfil de trafegabilidade do trecho.
Os benefícios da organização do tráfego
A eliminação dos conflitos em nível nas interseções municipais e acessos locais consolida-se como a intervenção de maior impacto na organização e na dinâmica operacional do tráfego rodoviário.
Ao substituir cruzamentos diretos e conversões à esquerda por uma rede estruturada de viadutos e passagens inferiores, o projeto segrega completamente o fluxo rodoviário de longa distância do tráfego urbano e regional. Essa separação física elimina os pontos de estrangulamento geométrico, permitindo que os veículos comerciais e de passeio mantenham a velocidade diretriz projetada de forma contínua, sem interrupções bruscas, desacelerações forçadas ou retenções provocadas pela prioridade de conversão do tráfego local
De forma complementar, a organização das travessias de pedestres por meio de passarelas com rampas acessíveis e iluminação dedicada remove a interferência humana do leito da pista, garantindo a trafegabilidade sem que haja necessidade de redução preventiva de velocidade em determinados trechos.
Além disso, a duplicação das pontes com a implantação de estruturas gêmeas amplia substancialmente a capacidade de vazão do trecho, convertendo a rodovia em uma calha de fluxo unidirecional e homogêneo. Em conjunto com o aumento do gabarito hidráulico, que previne interrupções operacionais e alagamentos em períodos de cheias, a infraestrutura assegura a previsibilidade dos tempos de viagem, a elevação do nível de serviço (LOS) e a redução drástica do risco de colisões transversais e atropelamentos.
O pacote de melhorias entregue inclui:
Capacidade de tráfego e vias locais: 25,6 km de pistas duplas liberadas, apoiadas por 10,3 km de vias marginais projetadas para canalizar o fluxo local.
Transposição e acessibilidade: Implantação de dois retornos em nível, duas intersecções organizadas, uma passagem inferior e três passarelas para pedestres.
Engenharia de estruturas: Construção e ampliação de quatro Obras de Arte Especiais (OAEs), englobando pontes e viadutos estratégicos.
Eficiência e iluminação: Modernização de 538 pontos de iluminação com tecnologia LED, aumentando a visibilidade noturna e reduzindo custos recorrentes de manutenção.


