Por Agnaldo Agostinho (*)
A malha rodoviária é a principal artéria do transporte de cargas e passageiros no Brasil, desempenhando um papel crucial no desenvolvimento socioeconômico do país. Contudo, os números revelam uma realidade desafiadora, pois de acordo com dados da Confederação Nacional do Transporte, o Brasil possui apenas 12,4% de suas rodovias pavimentadas, o que representa cerca de 213 mil quilômetros de um total de mais de 1,7 milhão de quilômetros.
Quando comparado a outros países da América Latina, o indicador brasileiro reforça a necessidade urgente de investimentos e eficiência na gestão viária, visto que países como o Chile contam com cerca de 26% de sua malha pavimentada, enquanto o Uruguai ultrapassa a marca dos 45% e a República Dominicana supera essa porcentagem, deixando o Brasil aquém do potencial necessário para garantir um escoamento logístico ágil e seguro.
Diante desse cenário, somado ao fato de que grande parte do trecho asfaltado existente sofre com a falta de manutenção preventiva regular, as vias atingem com frequência um estado avançado de deterioração.
Quando isso ocorre, geralmente temos duas opções: retirar todo o material deteriorado e levá-lo para um bota-fora, exigindo a exploração e o transporte de novos agregados minerais, o que gera altos custos operacionais e estresse aos usuários das rodovias devido ao intenso fluxo de máquinas; ou reciclar todo esse material com emulsão asfáltica, transformando-o em uma excelente base, que é a estrutura principal de todo pavimento, localizada logo abaixo da camada de rolamento.
Sempre focada na melhoria, economia e eficiência, esta técnica consiste em etapas bem definidas. Primeiramente, realiza-se a avaliação dos materiais, das espessuras e do tráfego, seguida pela elaboração de um estudo de dosagem.
O serviço é executado com o auxílio de uma recicladora, máquina responsável por cortar o material e misturá-lo com a adição de emulsão asfáltica em espessuras médias de 20 a 30 cm. Em seguida, todo esse material é compactado, ganhando resistência e formando uma base dimensionada para suportar o tráfego.

Base reciclada com emulsão asfáltica
Em conclusão, diante da urgência em ampliar e restaurar a infraestrutura viária nacional frente aos padrões internacionais, a reciclagem de base com emulsão asfáltica surge como uma tecnologia essencial em benefício de nossas estradas, pois reaproveita todo o material do pavimento deteriorado, evita a movimentação desnecessária de materiais e máquinas nas estradas, reusa recursos não renováveis, economiza recursos financeiros e promove um impacto ambiental extremamente positivo.
(*) Gerente técnico Brasquímica


