Aegea confirma participação nas PPPs da Corsan

Mário Baltar/ Foto: Revista Modal

A Aegea Saneamento e Participações S.A. (SP), operadora de concessões públicas de saneamento, presente em 48 municípios em 10 estados do país, será uma das empresas participantes das Parcerias Público-Privadas (PPPs) que a Companhia Rio-Grandense de Saneamento (Corsan) pretende implantar em nove municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, com aportes de R$ 1,85 bilhão. A informação é do ex-diretor comercial e atual consultor da companhia, Mário Baltar, em entrevista à revista Modal.

Para Baltar, as PPPs da Corsan são viáveis e devem atrair o interesse dos players da área de saneamento do país. “Estou otimista em relação a esse projeto do governo do RS, e vejo como fundamental adequar a tarifa às etapas de investimento”, repara. “Exigir um aumento no índice de esgotamento dos atuais 13% de determinado município para 50% em curto prazo é inviável. As PPPs pressupõem investimentos pesados, e como o payback do investidor, em tese, é entre oito e 10 anos, a duração dos contratos deve ser 35 anos, exatamente como a Corsan propõe.”

Investimentos

Em sua opinião, esse quesito foi um dos defeitos das concessões rodoviárias do governo de Antônio Brito, em 1999. “Os contratos tinham a duração de 15 anos, e isso inviabilizou grandes investimentos em razão da falta de melhor equilíbrio do ponto vista econômico-financeiro, porque não seria possível recuperá-los dentro da própria concessão.”

Baltar repara que no prazo de 35 anos é possível diluir os aportes da concessionária. Além disso, é do interesse da empresa dotar os usuários com mais atendimento, na medida em que quanto mais universal ele se tornar mais a empresa deverá receber. “Isso é mais perceptível no saneamento do que na rodovia”, observa. “Quando você faz uma rodovia o tráfego não é multiplicado, é apenas melhorado. No saneamento é possível ter um delta de investimento e também de faturamento. Por isso, o interesse das empresas é ampliar o atendimento da concessão.”

Tarifas

Provavelmente nas PPPs dos municípios da RMPA não haverá aumentos na tarifa, observa Baltar. Isso porque a política a ser adotada é a mesma da estatal, que segue o modelo adotado pela Aegea em suas concessões. A Corsan deverá remunerar a concessionária por aquilo que executou. Esta será obrigada a atingir determinadas metas em etapas pré-estabelecidas. Se não alcançá-las, ela será penalizada.

PPP não é privatização

“No Brasil se fala erradamente que a PPP seria uma privatização, o que não é. Privatizar seria vender as ações de uma companhia como ocorreu na CRT, no Rio Grande do Sul. As PPPs da Corsan serão uma concessão que receberá investimentos por 35 anos. Ao final desse prazo todas as estações de tratamento de esgotos que forem construídas pela concessionária  passarão para a Corsan novamente.”

A Aegea (SP) administradora de concessões públicas de saneamento, tem como acionistas o Grupo Equipav, controlado pelas famílias Vettorazzo e Toledo, a International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial, com 10%, e o Fundo Soberano de Cingapura (GIC), com 18%.

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Threads

Últimas Notícias

Cobrança 100% proporcional do Free Flow deve avançar com novas concessões, diz ABCR

Da Redação Revista Modal A transição para o modelo de cobrança de pedágio sem barreiras físicas, o Free Flow, abre caminho para uma transformação ainda mais profunda nas rodovias brasileiras: a adoção de tarifas 100% proporcionais aos quilômetros efetivamente rodados pelos motoristas. Embora a mudança exija evolução regulatória e contratual, a tendência é que a tarifação por quilômetro percorrido entre em definitivo na agenda das novas concessões e nas adaptações dos contratos existentes no país, afirma Marco Aurélio Barcelos, presidente

Leia Mais »

Concessões e aluguel de frotas impulsionam mercado de máquinas da Linha Amarela

A expansão dos investimentos em concessões públicas de infraestrutura e o ritmo aquecido da mineração estão impulsionando as vendas de máquinas pesadas no Brasil, criando um cenário de resiliência para o setor de bens de capital mesmo sob o impacto de juros altos e crédito restrito. Segundo dados da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), as comercializações de equipamentos da chamada Linha Amarela — grupo que reúne escavadeiras, pás-carregadeiras e rolos compactadores — devem crescer 4% em

Leia Mais »

Paving Expo 2026 projeta 35 mil visitantes e consolida o novo ciclo de investimentos na infraestrutura viária do país

O tom do setor de infraestrutura viária no Brasil não é de triunfalismo de fachada, mas o de constatação pragmática. No epicentro da pavimentação e das concessões rodoviárias, o investimento privado e as obras públicas deixaram o terreno das promessas para se tornar demandas imediatas de engenharia. A trajetória da Paving Expo reflete essa virada de chave no mercado nacional. Após registrar recordes sucessivos e saltar de 19,8 mil visitantes em 2023 para mais de 31 mil, 300 marcas e

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Cobrança 100% proporcional do Free Flow deve avançar com novas concessões, diz ABCR

Da Redação Revista Modal A transição para o modelo de cobrança de pedágio sem barreiras físicas, o Free Flow, abre caminho para uma transformação ainda mais profunda nas rodovias brasileiras: a adoção de tarifas 100% proporcionais aos quilômetros efetivamente rodados pelos motoristas. Embora a mudança exija evolução regulatória e contratual, a tendência é que a tarifação por quilômetro percorrido entre em definitivo na agenda das novas concessões e nas adaptações dos contratos existentes no país, afirma Marco Aurélio Barcelos, presidente

Leia Mais »

Concessões e aluguel de frotas impulsionam mercado de máquinas da Linha Amarela

A expansão dos investimentos em concessões públicas de infraestrutura e o ritmo aquecido da mineração estão impulsionando as vendas de máquinas pesadas no Brasil, criando um cenário de resiliência para o setor de bens de capital mesmo sob o impacto de juros altos e crédito restrito. Segundo dados da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), as comercializações de equipamentos da chamada Linha Amarela — grupo que reúne escavadeiras, pás-carregadeiras e rolos compactadores — devem crescer 4% em

Leia Mais »

Paving Expo 2026 projeta 35 mil visitantes e consolida o novo ciclo de investimentos na infraestrutura viária do país

O tom do setor de infraestrutura viária no Brasil não é de triunfalismo de fachada, mas o de constatação pragmática. No epicentro da pavimentação e das concessões rodoviárias, o investimento privado e as obras públicas deixaram o terreno das promessas para se tornar demandas imediatas de engenharia. A trajetória da Paving Expo reflete essa virada de chave no mercado nacional. Após registrar recordes sucessivos e saltar de 19,8 mil visitantes em 2023 para mais de 31 mil, 300 marcas e

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Sua marca entre os principais players da logística nacional

A Revista Modal oferece espaços publicitários e oportunidades de parceria para empresas que desejam se destacar no setor.

Entre em contato e solicite nosso Mídia Kit.