Brasil ficará fora da festa da economia mundial em 2018, diz Castro da AEB

José Augusto de Castro, presidente da AEB/ Foto: Erik Barros Pinto

Apesar do fortalecimento da economia mundial que deve crescer em 2018 em torno de 3,9%, segundo o último informe do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil mais uma vez deverá ficar fora da festa. “O fato é que não temos preços competitivos”, assinala o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, em entrevista exclusiva à Modal.

“O país regrediu na corrente de comércio dos últimos anos, que é o que vale em termos de atividade econômica, de US$ 482 bilhões, em 2011, para US$ 345 bilhões em 2017, devido ao chamado custo Brasil”, acrescenta. “Enquanto não avançamos na logística e nas reformas vamos continuar patinando com uma participação inferior a 1% no comércio mundial, muito aquém das potencialidades do país.”

Custo logístico

De acordo com Castro, o Brasil é competitivo apenas na América do Sul, em que o transporte é feito basicamente via rodoviária. Para outros continentes, entretanto, o custo logístico e a falta de reformas como a tributária e a da Previdência, além da burocracia, diminuem o acesso aos mercados. “Hoje, por exemplo, somos competitivos apenas na América do Sul para onde são exportados 60% dos produtos manufaturados”, pontua. Somente o custo logístico afeta entre 8% e 10% as exportações do Brasil, o que implica em investimentos não somente nos modais de transporte, mas, sobretudo, nos portos, completa.

A administração dos portos no Brasil deve ser privatizada

Concordo 100% com a privatização dos portos, até porque eles são privados nos Estados Unidos e em grande parte da Europa. Uma parte da solução para dar maior competitividade às exportações seria, portanto, a privatização dos portos, seja por meio de concessões ou por Parcerias Público-Privadas (PPP), já que 96% de nossos embarques são por via marítima”. Em sua opinião, os estados que hoje detém a administração dos portos não dispõem de receitas para fazer os investimentos necessários. Um exemplo é o Porto de Rio Grande (RS), que depende de recursos da União para a contratação de empresa de dragagem.

Custo e falta de previsibilidade

Custo e falta de previsibilidade são as dores do exportador brasileiro, insiste Castro ao negar procedência aos defensores da taxa de câmbio como fator de competitividade. “O exportador não deve depender da taxa de câmbio porque ela oscila muito. Por isso, é preciso reduzir custos. Hoje, por exemplo, não existe uniformidade na atuação da Receita Federal nos portos, sem falar na burocracia”, analisa.

 

 

 

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