O anúncio feito pelo Ministério dos Transportes de uma carteira de concessões rodoviárias de R$ 102,68 bilhões, prevista para 2027, marca o início de uma nova fase para a infraestrutura brasileira, impulsionada pelo avanço da engenharia digital.
Apresentado na B3, em São Paulo, o pacote reúne nove leilões de concessão e dois de otimização de contratos existentes, contemplando 569 quilômetros de duplicações e 550 quilômetros de faixas adicionais, com leilões agendados entre junho e dezembro de 2027.
A urgência da eficiência logística
Para Sylvio Mode, diretor-presidente da Autodesk no Brasil, essa transformação tecnológica responde à necessidade de decisões mais assertivas em contratos que moldam o cenário por décadas. A engenharia digital, que engloba a modelagem de projetos em BIM, simulações avançadas de tráfego e o acompanhamento de obras com drones, permite avaliar custos, restrições e impactos ambientais antes mesmo de qualquer máquina ir a campo, observa o executivo em nota à imprensa.
“Essa eficiência é especialmente crítica em um país onde cerca de 75% das mercadorias do setor produtivo circulam pelas rodovias, exigindo maior previsibilidade logística, redução de prazos de entrega e otimização no planejamento de estoques”, completa.
A adoção dessas ferramentas, segundo Mode, ganha força não apenas por iniciativa de mercado, mas também por mudanças nas exigências regulatórias. Em julho de 2025, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estabeleceu diretrizes que tornam obrigatória a implantação da metodologia BIM nas concessões federais, exigência que também se reflete em lotes estaduais paulistas como a Nova Raposo, a Rota Sorocabana, o Paranapanema e o Litoral Paulista. O objetivo é alcançar as metas estabelecidas pela Estratégia BIM BR, que visam elevar em 10% a produtividade e reduzir em 9,7% os custos de produção no setor.
O caso Serra das Araras
Na prática, o uso dessas tecnologias já demonstra resultados expressivos, como na nova Serra das Araras, na Via Dutra. Com projeto e construção apoiados pelas plataformas da Autodesk, o empreendimento executado pela RioSP tem previsão de entrega para 2027, dois anos antes do prazo contratual, impulsionado pela coordenação digital rigorosa que antecipa interferências e evita o retrabalho, prossegue a nota da empresa.
Atraindo Investidores
O excutivo destaca ainda que além da execução, a modelagem detalhada tem desempenhado um papel fundamental na atração de investidores e na redução de incertezas antes mesmo de o martelo bater nos leilões. “Um exemplo claro ocorreu na BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, onde uma tentativa de concessão sem propostas em 2023 foi seguida por uma revisão profunda dos estudos e da modelagem realizada pela Infra S.A. com o apoio das soluções da Autodesk”.
“O rigor técnico permitiu o sucesso do leilão do trecho em agosto de 2024, demonstrando que a tecnologia é indispensável para dar clareza aos riscos e viabilizar grandes investimentos de longo prazo no setor rodoviário brasileiro”, diz Mode.
Programação dos leilões previstos para o ano de 2027
- Rota Integração do Sul (Leilão previsto para junho)
- Rota Portuária do Sul (Leilão previsto para junho)
- Rota Vale do Itajaí – Malha Catarinense (Lote 1) (Leilão previsto para julho)
- Rota Meio Oeste – Malha Catarinense (Lote 3) (Leilão previsto para julho)
- Rota do Vale do Café (Leilão previsto para setembro)
- Rota Portuária Itaqui (Leilão previsto para setembro)
- Rodovia Transbrasiliana (Leilão previsto para outubro)
- Rota Catarinense – Malha Catarinense (Lote 2) (Leilão previsto para novembro)
- Rota Planalto Sul (Leilão previsto para novembro)


