Pista ampliada abrirá novas oportunidades para a Fraport elevar a movimentação de cargas no Salgado Filho

Crédito: Divulgação

Os aviões da TAP que chegam a Porto Alegre com produtos da China, Estados Unidos e Alemanha, como componentes técnicos, máquinas e peças para reposição de veículos automotores, aterrissam com 4 mil toneladas. Na hora de decolar com couro, produtos têxteis e itens industriais, levantam voo com apenas 1 tonelada, devido a limitação da pista do aeroporto Salgado Filho. Somente em 2022, com a conclusão da ampliação em mais 930 metros da pista é que se chegará a um equilíbrio entre chegadas e partidas.

A informação foi dada nesta quinta-feira pela CEO da Fraport Brasil, Andrea Pal, durante palestra no VI Fórum Internacional de Infraestrutura e Logística, realizado no hotel Plaza São Rafael. “Precisamos enfrentar outros aeroportos oferecendo melhor qualidade”, disse a executiva. Um ponto importante para ajudar a prospecção de cargas será a construção de uma área maior para a movimentação de caminhões nas operações de carga e descarga. “Em algumas situações o aeroporto entra em colapso por falta de uma área maior”, diz Andrea. Outra providência é a construção de um depósito refrigerado maior. O atual tem capacidade para 500 toneladas.

A pista que atrapalha

Após fazer levantamento sobre o manejo de cargas no Salgado Filho nestes cinco meses sob a gestão da empresa alemã, a Fraport Brasil constatou que os volumes destinados ao mercado externo são pequenos, pesando no máximo 500 quilos. Na importação, 65% da movimentação são de produtos com menos de 100 quilos de peso.

Segunda ela, a TAP foi a única companhia aérea que se interessou por Porto Alegre, mas com a ampliação da pista será possível estabelecer negociações com outras companhias aéreas. Este item já faz parte do planejamento para os próximos 25 anos. “Perdemos muitos voos com a pista pequena”, informa Andrea Pal, acrescentando que apenas 7% das cargas aéreas em todo o País não são movimentadas por Guarulhos (SP) e Galeão (RJ).

Metas mínimas para hidrovias e ferrovias

Renê Wlach, Coordenador do Comitê de Logística da Câmara Brasil Alemanha enfatizou a necessidade de uma reflexão sobre a dependência do modal rodoviário, como ficou acentuado no recente movimento dos caminhoneiros. “Esta crise mostrou a urgência de pensar diferente”, assinalou. Aos donos de carga que importam e exportam, propôs que utilizem as hidrovias. “Dediquem parte das suas cargas para este modal, e não apenas em momentos de crise. O Terminal Santa Clara (em Triunfo) tem quatro saídas para Rio Grande. Há espaço”, sugeriu.

O diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Adalberto Takarski, apresentou uma sugestão para reduzir a dependência do modal rodoviário: estabelecer metas mínimas de investimentos para as ferrovias e as hidrovias. O governo federal, explicou, investe R$ 13 bilhões por ano em rodovias e 1/10 desse valor para o sistema fluvial. “Se o Brasil quiser virar o jogo precisa colocar metas para o hidroviário e o ferroviário. Vai impactar no rodoviário, retirando caminhões das estradas e gastando menos com manutenção”, comentou.

R$ 600 bilhões para escapar da dependência

Para ele, é preciso aproveitar o que aconteceu agora, com a paralisação que parou o País, e apresentar proposta para o próximo governo. “A hora é agora de provocar uma mudança, de propor uma nova política de transporte”, conclamou. “Se não colocar uma prioridade mínima para estes modais, o rodoviário, por conta de pressão, continuará ficando como prioritário”, emendou.

Citou um estudo realizado pela Fundação Don Cabral, publicado no jornal O Estado de Minas, que aponta investimentos da ordem de R$ 600 bilhões em dez anos para evitar que a sociedade fique refém do transporte rodoviário. “Segundo a CNT (Confederação Nacional do Transporte, as rodovias respondem por 61,1% do transporte de carga no Brasil (no RS chega a 65%), 3 vezes maior em relação as ferrovias (20,7%) e 5 vezes que as hidrovias (13,6%).

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