Para a CNI, modernização da infraestrutura exige investimentos equivalentes a 4,15% do PIB ao ano

Estudo da Confederação Nacional da Indústria aponta necessidade de aportes anuais de R$ 274 bilhões Crédito: Agência Brasil

O caminho para a modernização da infraestrutura no Brasil demandará esforço de duas décadas e investimentos pelo menos duas vezes maiores que os atuais R$ 132 bilhões, que correspondem a 2% do PIB nacional. De acordo com o estudo Privatizações na Infraestrutura: o que falta fazer, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) é preciso aportes para um patamar mínimo de 4,15% do PIB, o equivalente a R$ 274 bilhões.

O trabalho lista as medidas prioritárias para o avanço do país nas áreas de transporte, mobilidade urbana, energia, saneamento e telecomunicações. Ele integra uma série de 43 documentos sobre temas estratégicos que a entidade entregará aos candidatos à Presidência da República. As propostas serão discutidas durante o Diálogo da Indústria com os Candidatos à Presidência da República no dia 4 de julho, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. A previsão é reunir cerca de 1,5 mil líderes empresariais.

Retomada da competitividade

O gerente-executivo de Infraestrutura da CNI, Wagner Cardoso, defende mais aportes de recursos da iniciativa privada na gestão da infraestrutura como alternativa para a retomada da competitividade dos produtos brasileiros. “A crescente queda dos investimentos públicos reforça a necessidade de expansão da participação privada na infraestrutura nacional. Uma medida importante é reforçar a agenda de concessões e privatizações já em andamento no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI)”, afirma o gerente.

Conforme o estudo da CNI, o fator que mais contribuiu para o atraso da infraestrutura no país foi a reduzida capacidade do setor público de investir. “O histórico de baixo impacto do investimento em infraestrutura no país está diretamente associado à limitada capacidade de execução do Estado – no sentido de planejar, elaborar e escolher os projetos com maior relação benefício-custo, contratar sua execução, fiscalizar e assegurar sua integridade”, destaca o estudo.

Mobilização de recursos

O trabalho aponta que a solução é que o país se contraponha às deficiências do Estado a partir de uma maior participação do setor privado. A CNI considera que há múltiplas razões para se privatizar no país, em grande medida relacionadas com as dificuldades da administração pública e suas implicações sobre gestão, governança, eficiência e restrições no âmbito fiscal. “Além de maior capacidade de mobilização de recursos, o setor privado é mais flexível e consegue responder mais rapidamente às oportunidades de mercado e às mudanças de preços relativos”, diz Wagner Cardoso.

“A atuação do gestor público é limitada tanto pela legislação quanto pela interpretação dos órgãos reguladores. A sua pessoa física pode ser diretamente responsabilizada à atividade de gestão, uma vez que sua atuação não influenciaria apenas a sociedade da empresa, mas a sociedade como um todo”, detalha o estudo. “Na administração de uma empresa estatal, as vontades do governo eleito influenciam as decisões”, acrescenta.

Privatização das Docas

Entre as áreas que necessitam de aportes volumosos está a de transportes, que demanda investimentos pesados para que haja avanços nas rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. No setor portuário a principal recomendação da CNI se refere à urgência em privatizar as Companhias Docas, que são empresas estaduais marcadas por graves problemas de gestão empresarial. Os portos brasileiros apresentam baixo nível de eficiência, custos elevados e reduzido volume de investimento.

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Threads

Últimas Notícias

Cobrança 100% proporcional do Free Flow deve avançar com novas concessões, diz ABCR

Da Redação Revista Modal A transição para o modelo de cobrança de pedágio sem barreiras físicas, o Free Flow, abre caminho para uma transformação ainda mais profunda nas rodovias brasileiras: a adoção de tarifas 100% proporcionais aos quilômetros efetivamente rodados pelos motoristas. Embora a mudança exija evolução regulatória e contratual, a tendência é que a tarifação por quilômetro percorrido entre em definitivo na agenda das novas concessões e nas adaptações dos contratos existentes no país, afirma Marco Aurélio Barcelos, presidente

Leia Mais »

Concessões e aluguel de frotas impulsionam mercado de máquinas da Linha Amarela

A expansão dos investimentos em concessões públicas de infraestrutura e o ritmo aquecido da mineração estão impulsionando as vendas de máquinas pesadas no Brasil, criando um cenário de resiliência para o setor de bens de capital mesmo sob o impacto de juros altos e crédito restrito. Segundo dados da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), as comercializações de equipamentos da chamada Linha Amarela — grupo que reúne escavadeiras, pás-carregadeiras e rolos compactadores — devem crescer 4% em

Leia Mais »

Paving Expo 2026 projeta 35 mil visitantes e consolida o novo ciclo de investimentos na infraestrutura viária do país

O tom do setor de infraestrutura viária no Brasil não é de triunfalismo de fachada, mas o de constatação pragmática. No epicentro da pavimentação e das concessões rodoviárias, o investimento privado e as obras públicas deixaram o terreno das promessas para se tornar demandas imediatas de engenharia. A trajetória da Paving Expo reflete essa virada de chave no mercado nacional. Após registrar recordes sucessivos e saltar de 19,8 mil visitantes em 2023 para mais de 31 mil, 300 marcas e

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Cobrança 100% proporcional do Free Flow deve avançar com novas concessões, diz ABCR

Da Redação Revista Modal A transição para o modelo de cobrança de pedágio sem barreiras físicas, o Free Flow, abre caminho para uma transformação ainda mais profunda nas rodovias brasileiras: a adoção de tarifas 100% proporcionais aos quilômetros efetivamente rodados pelos motoristas. Embora a mudança exija evolução regulatória e contratual, a tendência é que a tarifação por quilômetro percorrido entre em definitivo na agenda das novas concessões e nas adaptações dos contratos existentes no país, afirma Marco Aurélio Barcelos, presidente

Leia Mais »

Concessões e aluguel de frotas impulsionam mercado de máquinas da Linha Amarela

A expansão dos investimentos em concessões públicas de infraestrutura e o ritmo aquecido da mineração estão impulsionando as vendas de máquinas pesadas no Brasil, criando um cenário de resiliência para o setor de bens de capital mesmo sob o impacto de juros altos e crédito restrito. Segundo dados da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), as comercializações de equipamentos da chamada Linha Amarela — grupo que reúne escavadeiras, pás-carregadeiras e rolos compactadores — devem crescer 4% em

Leia Mais »

Paving Expo 2026 projeta 35 mil visitantes e consolida o novo ciclo de investimentos na infraestrutura viária do país

O tom do setor de infraestrutura viária no Brasil não é de triunfalismo de fachada, mas o de constatação pragmática. No epicentro da pavimentação e das concessões rodoviárias, o investimento privado e as obras públicas deixaram o terreno das promessas para se tornar demandas imediatas de engenharia. A trajetória da Paving Expo reflete essa virada de chave no mercado nacional. Após registrar recordes sucessivos e saltar de 19,8 mil visitantes em 2023 para mais de 31 mil, 300 marcas e

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Sua marca entre os principais players da logística nacional

A Revista Modal oferece espaços publicitários e oportunidades de parceria para empresas que desejam se destacar no setor.

Entre em contato e solicite nosso Mídia Kit.