ABBEólica defende que energias renováveis precisam de “financiabilidade

Sandro Yamamoto, diretor técnico da ABBEólica

Três pontos foram destacados pelo diretor técnico da Associação Brasileira de Energia Eólica, Sandro Yamamoto, durante audiência pública, em 22 de agosto, na Comissão de Infraestrutura do Senado sobre o PLS 232/2016 que trata da reestruturação do modelo setor elétrico.  Ele defendeu a existência de uma etapa de transição para a implementação do lastro e energia, proposta pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que considerou fundamental.
No caso de energia eólica, informou que o setor conta com seis fabricantes de aerogeradores instalados no Brasil e um conjunto de fornecedores que fazem parte da cadeia produtiva.  Lembrou que o BNDES implantou um sistema, a partir de 2013, de conteúdo nacional que originou investimentos em fábricas de freio, rolamentos, resina, fibras de vidro, torres de aço, fixadores e outras. “Tudo isso foi desenvolvido no Brasil e não podemos quebrar isso que foi construído. Apoiamos o PLS no que diz respeito ao lastro e energia, mas que seja concatenado com a modernização”.

Yamamoto reiterou ainda que é preciso cuidado em garantir a financiabilidade do sistema. Citou que o setor é sustentado por um tripé: precisa de demanda para vender energia; de linhas de transmissão, mas também de financiamentos para que os projetos possam sair do papel.  “As energias renováveis precisam de financiabilidade e se não tivermos contratos de longo prazo de ótima qualidade, não se conseguirá garantir a expansão, não só de renováveis, mas de outras fontes também”, advertiu o executivo.

O dirigente da ABBEólica avaliou ainda o artigo 26 do PLS 232/2016 que trata dos subsídios cujo montante deve alcançar cerca de R$ 20 bilhões em 2020. Hoje, a energia eólica conta com contratos para os próximos seis anos que já possuem desconto, o que acarreta previsibilidade. E o que preocupa  ABBEólica é a transição para os consumidores menores, dada a possibilidade de inadimplência no mercado, assinalou.

“Se o consumidor inadimplente continuar conectado na rede, isso pode virar uma bola de neve. Acreditamos que é importante abrir o mercado, mas que existam regras muito claras e muito rígidas para o consumidor inadimplente. Para nós, é fundamental, na medida que o setor trabalha com financiamentos de longo prazo. Nessa linha, entendemos que o corte físico do consumidor talvez seja uma saída no caso da inadimplência”.

Como último ponto ele defendeu uma sintonia do PLS 232/2016 com as medidas em andamento pelo Executivo em relação a preços de mercado. “Este preço de mercado não tem a credibilidade como  deveria ter. Temos de evoluir nos modelos. O PLD horário felizmente foi postergado para janeiro de 2021. Esperamos que no final de 2020 tenhamos a certeza de que seja implementado de fato em janeiro de 2021. Se não tivermos essa confiança, o mercado voltará a ter dificuldades no cálculo de preço, o que será prejudicial para a expansão do setor”.

 

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