Brasil começa a aderir à revolução dos ventos offshore

O anúncio da joint-venture entre portuguesa EDP e a francesa Engie no segmento eólico offshore é o primeiro reflexo da iniciativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama), que abriu consulta pública até 3 de abril de 2020 para receber contribuições para a publicação de Termo de Referência, modelo que vai orientar a elaboração de Estudos de Impacto Ambiental de Complexos Eólicos Offshore.
Até o momento, a inexistência de marco regulatório para a exploração do potencial  eólico offshore no Brasil, sobretudo na questão ambiental, impediu o avanço da fonte no país, além de  seu alto custo.

Com 15,5 GW de capacidade instalada de geração eólica onshore, que lhe confere o oitavo lugar em energia eólica no ranking do Global Wind Energy Council, o país conta com um excepcional potencial offshore a ser explorado.

Estudos preliminares da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, apontaram potencial para a geração de 697 GW, para ventos com velocidade entre 7 e 7,5 metros por segundo.

Em seus cerca de 7.367 Km de costa foram identificadas três regiões de alta magnitude de vento, com potencial de exploração da geração eólica offshore: (i) margem de Sergipe e Alagoas,(II)  Rio Grande do Norte e Ceará e  (III)Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Marcelo Storrer,  CEO da Eólica Brasil Ltda. e da Usina Asa Branca , em entrevista a MODAL lembrou que o Brasil é um dos líderes mundiais em tecnologias de grandes projetos offshore, oriundas da exploração e produção de petróleo no mar. Várias dessas tecnologias são relacionadas e aplicadas nos projetos das eólicas offshore, principalmente no se refere à engenharia das estruturas, fundações, construção e execução de projetos no mar.
“A offshore não precisa construir estradas, não precisa desmatar, não precisa rebaixar lençóis freáticos, não precisa remover casas. O canteiro de obras de uma eólica offshore é um porto, longe do local da usina. As offshore marítimas são instaladas por balsas auto elevatórias tipo jack-up, por embarcações instaladoras de cabos e por embarcações instaladoras de pedra para enrocamento em volta das fundações. Os cabos elétricos submarinos são enterrados no leito marinho a uma profundidade entre 2 a 5 m. A operação e manutenção preventivas são feitas por pessoal transportado por lanchas rápidas de transporte de pessoal e também por helicópteros, quando as usinas são mais longes da costas e o mar com ondas mais altas”, acrescentou.

Em junho do ano passado, o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC) divulgou uma análise abrangente das perspectivas do mercado global de energia eólica offshore, incluindo dados de previsão, análise de nível de mercado e revisão de esforços para reduzir custos.

Segundo esse estudo, o mercado global offshore cresceu em média 21% ao ano desde 2013, alcançando instalações totais de 23 GW. Mais de 4 GW de nova capacidade foram instalados a cada ano em 2017 e 2018, totalizando 8% do total de novas instalações durante os dois anos. Pela primeira vez, a China foi o maior mercado offshore em 2018 com base em novas instalações, seguido pelo Reino Unido e Alemanha.

Até o final de 2020, a organização prevê a instalação de cerca de 190 GW de capacidade instalada.” Muitos novos países estão se preparando para aderir à revolução do vento offshore, enquanto a flutuação da energia eólica offshore representa um desenvolvimento tecnológico revolucionário que pode adicionar ainda mais volumes nos próximos anos”.

Alastair Dutton, presidente da Força-Tarefa Global Eólica Offshore do GWEC, afirmou que a indústria continua dando passos significativos em competitividade de custo, com um LCOE médio de US $ 50 / MWh estando ao alcance.

“Essa conquista aumenta a atratividade da energia eólica offshore em mercados maduros, onde vários governos estão discutindo metas climáticas de longo prazo que, para serem atingidas, devem considerar seriamente a contribuição que a energia eólica marítima em grande escala pode fazer. Novos mercados offshore representam um potencial significativo e, se a indústria e os governos podem trabalhar juntos, podemos construir as estruturas políticas necessárias em maior velocidade para assegurar que o crescimento possa ser alcançado mais cedo do que tarde ”.

 

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