Plataforma gaúcha de equity-crowdfunding Cluster 21 abriu rodadas de investimentos em empresas de energias renováveis

Leonardo Brum (E), Bruna Stein (co-fundadora) e Sérgio Correa (CEO) da Cluster 21

Desde o final do primeiro semestre do ano passado, os empresários gaúchos Sérgio Correa e Leonardo Brum, oriundos do setor de trading, estão operando em um novo mercado. De olho  no alto potencial de empresas que possuem boas ideias, mas não necessariamente verba para fazer os planos virarem realidade, criaram a Cluster 21. Trata-se de uma plataforma de equity-crowdfunding (financiamento coletivo) por meio da qual os investidores compram pela internet títulos conversíveis em ações ou ações das empresas e ganham com o sucesso do negócio.

Na área de energia, a empresa está com as rodadas da SunnyHUB (RS) e Ideal (SP) abertas e disponíveis para investimento. Ambas buscam tornar as energias renováveis mais competitivas e acessíveis para o consumidor.

A SunnyHUB transformou a energia solar para as residências em um serviço, num modelo semelhante a um aluguel de sistema fotovoltaico, o que permite reduzir em até 20% a conta de luz. No caso da Ideal, a empresa possui um sistema próprio que mistura eólica e solar para ser instalado em prédios e condomínios verticais.

De acordo com Correa, existe muito potencial no mercado de energia no Brasil, sobretudo a partir dos novos cenários da economia, o que vai demandar maior oferta.  De outra parte, com uma matriz elétrica  dependente de fontes hídricas, a tendência é de um crescimento de energias renováveis como as fontes eólica e solar. Nessa linha, a busca pela inovação e por novos modelos de negócios nesse mercado representam boas opções de investimento, justamente em um momento em que chega ao fim o ciclo do prefixado no Brasil, acrescenta.
Portfólio
Além da SunnyHUB e Ideal, faz parte da plataforma a Ossopim, do segmento pet, de Porto Alegre, a Arenaplan (SP), que criou um protótipo de emissão de nota fiscal para microempresas,  e a própria Cluster 21, do setor de serviços financeiros, que traçou a meta de captação de R$ 1,750 milhão.

“O modelo é democrático e acessível”, diz Correa. “Embora o investimento em inovação seja restrito a grandes fundos ou pessoas físicas abastadas e bem relacionadas, o Cluster21 torna as oportunidades acessíveis também ao investidor do varejo, permitindo um investimento mínimo de R$ 500”, agrega.

Fundação
Fundada  em 2017, a empresa dedicou dois anos para o desenvolvimento da plataforma e todo o trâmite de autorização junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) , que em 13 de julho de 2017 emitiu a instrução  Nº 588 que regula a oferta pública de distribuição de valores mobiliários de emissão de sociedades empresárias de pequeno porte realizada com dispensa de registro por meio de plataforma eletrônica de investimento participativo, e tem por fim assegurar a proteção dos investidores e possibilitar a captação pública por parte destas sociedades.

Composto por  empresários e investidores, com expertise de estruturação de veículos de investimentos e inovação, com décadas de experiência no mercado internacional, a Cluster 21 opera com um quadro de sete colaboradores, além de provedores de serviços terceiros.

Metas para 2020

Em 2019 foram captados R$1,5 milhão de reais de investidores para diferentes empresas. Para 2020, o objetivo é movimentar cerca de R$ 30 milhões em investimentos em até 20 empresas de grande potencial reconhecidas como startups.   Por ser um termo relativamente novo, seus conceitos ainda se confundem entre diferentes ambientes de negócio. O maior desafio desse novo negócio  é criar um modelo enquanto ainda não existe receita. O termo surgiu com a “bolha da Internet”, entre 1996 e 2001, e foi criado para descrever um grupo de empreendedores co m ideias diferentes de tudo o que já havia sido criado até então.  Apesar de comuns em ambientes virtuais, as startups estão presentes em qualquer segmento, desde que comprovem ser um negócio repetível e escalável.

Atualmente, existem três definições possíveis para as startups: qualquer pequena empresa em seu período inicial; uma empresa que possui custos de manutenção muito baixos e ainda assim consegue crescer rapidamente e gerar lucros cada vez maiores; ou  um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios inovador, trabalhando em condições de extrema incerteza.
Processo seletivo
Sobre o processo seletivo, Correa informa que a startup interessada em buscar investimento nesse modelo deve entrar em contato e enviar seu material institucional  -ou no jargão do mercado, pitch deck– por meio do e-mail contato@cluster21.com.br.

“A partir daí avaliamos a proposta internamente para então procedera uma análise mais minuciosa do negócio. Superada todas essas etapas, estrutura-se um acordo de compliance e governança, precifica-se as ações da empresas e lança-se a rodada. O investidor pode acompanhar o sucesso da empresa por meio de relatórios da administração, posição contábil e auditorias externas. A plataforma acompanha o investidor até o desinvestimento a fim de garantir o sucesso do negócio e bons retornos”, explica Correa.

 

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