O Brasil precisa de reservação, diz Menel

Mário Menel, presidente da Abiape

“Otimista por natureza”, o presidente da Associação Brasileira de Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Mário Menel, acredita que a atual crise hídrica deverá “despertar as consciências” sobre a importância de medidas capazes de aumentar a capacidade de reservação de água no país.

Ele lembra que não devem ser subestimadas as mudanças climáticas em curso, o que vem ocorrendo não somente no Brasil, mas em todo o mundo. Nessa linha, ele lamenta o recuo da participação das hidrelétricas na matriz energética nacional, o que atribui à ação de organizações ambientalistas que contribuíram para demonizar a fonte.

Acrescenta que devido à complexidade e as ameaças que as hidrelétricas têm sofrido é muito difícil atualmente que algum empreendedor desenvolva um projeto de UHE no Brasil. “O único que está investindo é o José Eduardo Moreira, um idealista da PCE  que está estudando o aproveitamento hidrelétrico de Tabajara ”, assinala.

Como um alento para o setor foi como Menel definiu o recente II Workshop Inventários Hidrelétricos Participativos, da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), de 23 de setembro, quando foram analisados exemplos que podem representar uma alternativa capaz de viabilizar boa parte do potencial existente no país de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), estimado em 16 GW.

“Por meio dessa metodologia é feito um mapeamento que permite identificar os aproveitamentos de uma forma prévia”, relata Menel que participou do evento como convidado.  “Chamam-se todos os órgãos intervenientes para discutir onde pode ser instalada uma usina, o que facilita em muito o processo”.

Uma das apresentações que mais impressionou Menel foi a do estado do Mato Grosso do Sul, do Rio Pardo, que de um potencial de 200 MW foi identificada a viabilidade de licenciamento em sete PCHs, correspondente a 112 MW. “Esse exemplo do Mato Grosso do Sul em que se identificou a possibilidade de construção de 60% do potencial do Rio Pardo, pode ser um caminho, dado ao princípio que introduz, de desobstruir logo no começo as limitações impostas pela legislação e pelos órgãos ambientais”, destaca Menel.

Sobre as críticas às PCHs de setores ligados ao meio ambiente, o presidente da Abiape afirma que “são sempre as mesmas”. E que não se repara a evolução que ocorreu no Brasil, relacionada à mitigação de eventuais impactos ambientais de uma planta de PCH. Ele cita como exemplo a PCH Tamboril, de 14 MW, localizada no Rio São Bartolomeu (GO), da Tradener, que, entre as medidas de mitigação dos impactos ambientais, foi construída uma escada de peixes para a reprodução durante a piracema para não interromper o ciclo de criação. “Trata-se de uma obra magnífica em que é possível visualizar os peixes subindo a escada para desovar”, observa Menel.

PCH tamboril

PCH Tamboril

Ainda sobre as PCHs, Menel repara que existe hoje um grande avanço tecnológico, como o modelo computacional denominado Hera que permite desenvolver estudos sobre o potencial hidrelétrico de bacias hidrográficas, considerando a viabilidade econômica dos projetos e seus impactos socioambientais.

Ele conclui  com uma indagação sobre os desafios da matriz energética nacional em um momento de sério risco de apagão: “Quais são as nossas alternativas? O gás natural? que definem como o combustível da transição. Mas quanto tempo levará essa transição? O carvão? que não tem mais alterativas de financiamento em todo o mundo e que, no Brasil, o BNDES não financia. A energia solar e eólica que são intermitentes? O mais provável é que precisemos de todas, mas, para que tenhamos um sistema confiável e usos múltiplos das águas eficientemente administrável o Brasil precisa  aumentar muito a sua capacidade de reservação”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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