Mesmo em conjuntura difícil, Concretizar Engenharia projeta incremento de 30% neste ano

Ponte sobre o reservatório da PCH Bela Vista

O crescimento rápido faz parte de muitos ciclos de negócios bem-sucedidos. Isso acontece, mais como resultado de uma estratégia de crescimento bem executada, do que em resposta a oportunidades inesperadas.

Esse é o caso da Concretizar Engenharia de Obras, de Curitiba (PR), que, em 18 anos de atividades, consolidou-se como uma das principais construtoras de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e de Centrais de Geração Hidrelétrica (CGH) do país. Pontes e subestações de grande porte e implantação de toda a infraestrutura de obras civis de linhas de transmissão também fazem parte de seu portfólio.

Uma de suas últimas obras foi a PCH Bela Vista, de 29 MW, instalada no rio Chopin, entre os municípios de Verê e São João do Sudoeste do Paraná, da Copel. Neste empreendimento, a Concretizar também foi a responsável pela construção da ponte de 200 metros de extensão. Em operação desde agosto deste ano, a unidade foi construída em tempo recorde, de junho de 2020 a agosto de 2021.

Até o momento, as empresas do grupo já construíram mais de 40 PCHs e CGHs, além da UHE Tibagi Montante 36MW e a Subestação Curitiba Leste 525kV.  Atualmente, estão em execução as PCHs:  Foz do Cedro, de 29MW, no Mato Grosso; São Bartolomeu, de 12MW e Gameleira, de 14MW, em Goiás; além de uma correção complexa na barragem da PCH Passo do Meio, no Rio Grande do Sul.

Incremento

No primeiro trimestre do ano, a empresa teve um crescimento de 59%, em comparação a igual período do ano anterior, e a expectativa é de um incremento de cerca de 30% no atual exercício diante de 2020.

Mesmo com a pandemia e a alta da inflação, a Concretizar conseguiu contornar os entraves  no cronograma das obras, segundo o engenheiro Luiz Antonio Pasini Melek, da área de Novos Negócios da Concretizar. “Observamos uma dificuldade grande na compra de insumos de construção civil desde meados de 2020. No entanto, em nossos contratos, os efeitos maiores foram de custos, pois conseguimos minimizar os impactos de fornecimento com algumas ações rápidas e pontuais”, explicou.

Cenários

Sobre os cenários de 2022,  Pasini lembra que, com a MP da Eletrobrás, projetos de PCHs e CGHs, que já estão em estágio mais avançado de desenvolvimento, tendem a ser construídos.  No entanto, as hidrelétricas seguem um demorado caminho para serem licenciadas e implantadas, diante das rigorosas exigências socioambientais. “ Desta maneira, é difícil afirmar que a MP, por si só, mude o cenário  no curto prazo, mas sem dúvida ela é benéfica para o setor”, acrescenta.

Crise hídrica

O executivo lembra que os investimentos em usinas hidrelétricas são feitos no longo prazo. Alguns projetos demoram cerca de uma década para saírem do papel devido à burocracia. Além disso, os investidores deste setor têm buscado a viabilização dos empreendimentos a partir da comercialização de suas energias nos leilões setoriais do governo federal. “As contratações têm sido aquém das expectativas, com valores baixos de energia negociada e baixa demanda devido às crises econômicas de 2015 e 2016 e à pandemia em 2019 e 2020. Ainda, parece-nos que os leilões acabam sendo utilizados para outros fins , como por exemplo, garantir ponto de conexão apenas, do que garantir o atendimento da demanda futura”.

Em seu entendimento, no curto prazo, ainda não se vislumbra um eventual incremento de projetos no setor de PCHs, além daqueles que estão previstos e em cotação no mercado.

Em relação à crise hídrica, Pasini acredita que originou muitas incertezas com uma variação muito grande nos preços de curto prazo. “O Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que subiu muito devido e teve uma queda drástica, num curto espaço de tempo, devido às chuvas dos últimos dias e os leilões de energia sinalizaram preços frustrantes, causando insegurança para os investidores que precisam de sinais confiáveis no longo prazo”.

Hidrelétricas

Diante dessa conjuntura, Pasini acredita que a escassez hídrica de 2020 e 2021 mostrou a necessidade de o país investir em hidrelétricas com reservatórios. “Nosso sistema é robusto devido à hidroeletricidade, que garante o armazenamento da energia sem queima de combustível. Se o país tivesse investido mais em hidroeletricidade ao longo dos últimos anos, possivelmente os efeitos da crise teriam sido menores, sem aumento tão drástico dos valores de energia e com a necessidade das bandeiras tarifárias tão elevadas”, conclui.

 

 

 

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