PCHs ganham novo fôlego com medidas provisórias, reconhece o mercado

O cenário energético brasileiro, marcado por rápidas transformações e incertezas, parece estar abrindo um novo capítulo para as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Duas Medidas Provisórias (MPs) recentes, a 1.300 e a 1.304, de 2025, estão reconfigurando as regras do jogo e prometem um “período virtuoso” para o setor, conforme avaliado pelo empresário Ricardo Pigatto, especialista na área de PCHs.

Embora a MP 1.304/25 tenha revogado a obrigatoriedade de contratação de 50% de PCHs nos leilões de energia nova em leilões A-5 e A-6, esta pode ser considerada um passo crucial para a retomada das PCHs, disse o empresário.

De acordo com ele, a MP 1.304 instituiu um programa de contratação de 4.900 MW em PCHs e CGHs. Essa energia será contratada por meio de um leilão de reserva, desvinculado da demanda das distribuidoras. O leilão está previsto para o primeiro trimestre de 2026, com entregas a partir de 1.000 MW por ano a partir de 2032, contratando 3.000 MW, e o restante, 1.900 MW vai ser leiloado à medida que o planejamento pelo poder concedente assim o indique. É um volume que sinaliza o reconhecimento da importância das PCHs na matriz energética nacional, relata.

Para Pigatto, as novas medidas marcam um reconhecimento tardio, mas necessário, da vocação das PCHs. Ele argumenta que, nos últimos anos, o crescimento vertiginoso das fontes intermitentes, como a solar e a eólica, foi impulsionado por subsídios exagerados, o que gerou impactos negativos na qualidade e segurança da entrega da energia no Sistema Interligado Nacional (SIN).

“A geração hidrelétrica, de qualquer porte, é sazonal e não intermitente,” explica Pigatto. “Ela gera energia síncrona e com reativos, que ajudam a manter a estabilidade e segurança dos sistemas elétricos.” Ele enfatiza que as PCHs, por serem 100% de matriz de fornecimentos nacional e estarem localizadas nas “pontas” das redes, atuam como geradoras de energia distribuída de qualidade, de forma segura e com custos de produção mais baixos do que as fontes intermitentes. “A obviedade passa a ser reconhecida”, afirma.

Com o leilão A-5 de 2025 agendado para 22 de agosto, a expectativa de demanda é cautelosa, mas otimista. Pigatto projeta que a demanda das distribuidoras pode variar entre 250 MW e 500 MW médios, resultando em contratações de 600 MW a 800 MW de potência. O preço teto estabelecido em R$ 411/MWh é considerado atrativo, mas ele alerta para a necessidade de cautela por parte dos empreendedores.

Desafios

No entanto, os desafios persistem. O empresário destaca a falta de infraestrutura de escoamento como um dos maiores gargalos, exemplificando a situação com o estado de Mato Grosso do Sul, onde 12 projetos de PCHs foram inviabilizados por apenas duas usinas solares que tampouco iniciaram suas construções, disse Pigatto após consultar o site da ANEEL. Essa concorrência por conexão à rede é um reflexo de um mau planejamento que, segundo ele, não considerou o “sinal locacional da geração” e privilegiou a GD intermitente.

Impacto

A limitação do teto da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e o novo Encargo de Complemento de Recursos (ECR) também preocupam, mas Pigatto acredita que, por serem as PCHs as fontes menos subsidiadas, o impacto será menor e poderá até aumentar a atratividade do setor.

Por fim, a possibilidade de operar com modulação diária, sem a necessidade de participar do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE), é vista como um grande diferencial. Para o empresário, essa nova regra, permite às PCHs, que podem operar de forma despachável e mais flexíveis, deve ampliar sua importância e rentabilidade, garantindo uma compensação mais justa pela energia gerada, especialmente nos horários de pico.

A nova conjuntura, portanto, coloca as PCHs em uma posição de destaque, não apenas como fontes de energia limpa, mas como peças-chave para a estabilidade e segurança do sistema elétrico nacional, completa o empresário.

 

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Threads

Últimas Notícias

Como R$ 102 bilhões em concessões empurram as rodovias brasileiras para a era digital

O anúncio feito pelo Ministério dos Transportes de uma carteira de concessões rodoviárias de R$ 102,68 bilhões, prevista para 2027, marca o início de uma nova fase para a infraestrutura brasileira, impulsionada pelo avanço da engenharia digital. Apresentado na B3, em São Paulo, o pacote reúne nove leilões de concessão e dois de otimização de contratos existentes, contemplando 569 quilômetros de duplicações e 550 quilômetros de faixas adicionais, com leilões agendados entre junho e dezembro de 2027. A urgência da

Leia Mais »

Mundial Logistics completa 28 anos e mira crescimento de 20% com integração total entre armazém e PDV

Em um cenário em que o varejo exige precisão cirúrgica e agilidade milimétrica, a linha que separa o estoque da prateleira deixou de ser apenas física para se tornar puramente estratégica. É sob essa premissa que a Mundial Logistics celebra seus 28 anos em 2026, projetando um salto de 20% em seu faturamento para este ano, após alcançar a marca de R$ 250 milhões. Fundada em 1998 em um espaço modesto de 500 metros quadrados na capital paulista, a companhia

Leia Mais »

BR-386 ganha novo marco com conclusão de duplicação e dispositivos de segurança entre Soledade e Fontoura Xavier

A infraestrutura logística do Rio Grande do Sul alcançou um novo patamar de eficiência operacional com a conclusão das obras de duplicação de um trecho crucial da BR-386. A concessionária ViaSul, do grupo Motiva, segundo nota à imprensa, liberou totalmente ao tráfego o segmento de 25,6 quilômetros situado entre os municípios de Soledade e Fontoura Xavier. Em termos operacionais, o projeto resolve gargalos históricos de capacidade e segurança ao segregar o tráfego de longa distância — dominado pelo transporte pesado

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Como R$ 102 bilhões em concessões empurram as rodovias brasileiras para a era digital

O anúncio feito pelo Ministério dos Transportes de uma carteira de concessões rodoviárias de R$ 102,68 bilhões, prevista para 2027, marca o início de uma nova fase para a infraestrutura brasileira, impulsionada pelo avanço da engenharia digital. Apresentado na B3, em São Paulo, o pacote reúne nove leilões de concessão e dois de otimização de contratos existentes, contemplando 569 quilômetros de duplicações e 550 quilômetros de faixas adicionais, com leilões agendados entre junho e dezembro de 2027. A urgência da

Leia Mais »

Mundial Logistics completa 28 anos e mira crescimento de 20% com integração total entre armazém e PDV

Em um cenário em que o varejo exige precisão cirúrgica e agilidade milimétrica, a linha que separa o estoque da prateleira deixou de ser apenas física para se tornar puramente estratégica. É sob essa premissa que a Mundial Logistics celebra seus 28 anos em 2026, projetando um salto de 20% em seu faturamento para este ano, após alcançar a marca de R$ 250 milhões. Fundada em 1998 em um espaço modesto de 500 metros quadrados na capital paulista, a companhia

Leia Mais »

BR-386 ganha novo marco com conclusão de duplicação e dispositivos de segurança entre Soledade e Fontoura Xavier

A infraestrutura logística do Rio Grande do Sul alcançou um novo patamar de eficiência operacional com a conclusão das obras de duplicação de um trecho crucial da BR-386. A concessionária ViaSul, do grupo Motiva, segundo nota à imprensa, liberou totalmente ao tráfego o segmento de 25,6 quilômetros situado entre os municípios de Soledade e Fontoura Xavier. Em termos operacionais, o projeto resolve gargalos históricos de capacidade e segurança ao segregar o tráfego de longa distância — dominado pelo transporte pesado

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Sua marca entre os principais players da logística nacional

A Revista Modal oferece espaços publicitários e oportunidades de parceria para empresas que desejam se destacar no setor.

Entre em contato e solicite nosso Mídia Kit.