A importância da Eficiência Energética na geração de energia

 

Alexandre Moana*

 A revisão das regras para a geração distribuída, proposta na Consulta Pública 25/2019 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), tem gerado muita apreensão e incertezas em relação ao futuro do setor elétrico do Brasil.

 A discussão principal é se os investidores em geração distribuída devem ou não pagar pelo uso da rede elétrica. Também há dúvidas sobre como será a regra de transição do modelo antigo para o novo, além da definição sobre o valor do pedágio que será cobrado para cada modalidade. Para a Aneel, o atual sistema não será sustentável em logo prazo devido ao impacto dos subsídios sobre os demais consumidores. A previsão é de que a tarifa de uso da rede e demais encargos sejam cobrados em sua totalidade já a partir de 2020.

 Com isso, a exclusão dos subsídios embutidos no atual sistema de compensação da energia injetada na rede por consumidores que produzem a própria energia afetará, principalmente, a geração fotovoltaica distribuída.

 A implantação da micro e minigeração distribuída por meio de fontes renováveis e sustentáveis, com certeza, é um caminho sem volta. Porém, elas não se bastam. É preciso incluir, em todo este debate, a importância da Eficiência Energética neste novo cenário.

Isso porque a presença da Eficiência Energética no planejamento de investimentos adequados em geração de energia, seja por meio de grandes empreendimentos de geração centralizada (como hidrelétricas, térmicas, eólica e solar), seja por meio dos investimentos em micro e minigeração distribuída, é fundamental para a viabilidade econômica e financeira de muitos projetos.

 Segundo dados da Aneel divulgados no 16° COBEE, somente com o Programa de Eficiência Energética (PEE), foram economizados 52 TWh entre os anos de 1998 e 2017, a um custo médio de R$ 200/MWh e com investimentos de R$ 8 bilhões.

 No mesmo período, o custo médio de geração para baixa tensão era de R$ 436,00/MWh, enquanto o custo médio de geração para alta tensão era de R$ 384,00/MWh. Isso significa que o PEE, em 19 anos, conseguiu reduzir em R$ 13,3 bilhões, aproximadamente, o custo com a compra de energia gerada para atender a demanda.

 Por isso, a nossa estratégia é buscar um sistema brasileiro de medição e verificação de resultados. Estabelecer índices mínimos de eficiência por setores da economia e fazer com estes sejam atingidos, com objetivo nacional. Tanto para reduzir o investimento do contribuinte em infraestrutura quanto para proporcionar uma energia mais barata.

 Com tanta energia e insumos utilizados para a fabricação de um sistema fotovoltaico, é fundamental ter responsabilidade em como utilizá-los. Após todo esse processo para produzi-los, caso as residências (plantas solares remotas) estiverem altamente ineficientes, a cadeia do desperdício de energia só tende a aumentar.

 Por isso, antes de qualquer debate sobre as mudanças das normas para a geração distribuída, deve-se, primeiramente, eficientizar o consumidor final que será alimentado pela geração distribuída e, posteriormente, dimensionar o sistema.

 A diretoria da agência reguladora adiou por 30 dias o prazo de contribuições da consulta pública, sendo agora 30 de dezembro de 2019 a data final. Quem sabe, neste período, os envolvidos percebam que, se não houver inteligência no sistema, não existirá mobilidade elétrica adequada e geração distribuída fotovoltaica.  

 *Presidente da Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia)

 

 

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Threads

Últimas Notícias

Cobrança 100% proporcional do Free Flow deve avançar com novas concessões, diz ABCR

Da Redação Revista Modal A transição para o modelo de cobrança de pedágio sem barreiras físicas, o Free Flow, abre caminho para uma transformação ainda mais profunda nas rodovias brasileiras: a adoção de tarifas 100% proporcionais aos quilômetros efetivamente rodados pelos motoristas. Embora a mudança exija evolução regulatória e contratual, a tendência é que a tarifação por quilômetro percorrido entre em definitivo na agenda das novas concessões e nas adaptações dos contratos existentes no país, afirma Marco Aurélio Barcelos, presidente

Leia Mais »

Concessões e aluguel de frotas impulsionam mercado de máquinas da Linha Amarela

A expansão dos investimentos em concessões públicas de infraestrutura e o ritmo aquecido da mineração estão impulsionando as vendas de máquinas pesadas no Brasil, criando um cenário de resiliência para o setor de bens de capital mesmo sob o impacto de juros altos e crédito restrito. Segundo dados da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), as comercializações de equipamentos da chamada Linha Amarela — grupo que reúne escavadeiras, pás-carregadeiras e rolos compactadores — devem crescer 4% em

Leia Mais »

Paving Expo 2026 projeta 35 mil visitantes e consolida o novo ciclo de investimentos na infraestrutura viária do país

O tom do setor de infraestrutura viária no Brasil não é de triunfalismo de fachada, mas o de constatação pragmática. No epicentro da pavimentação e das concessões rodoviárias, o investimento privado e as obras públicas deixaram o terreno das promessas para se tornar demandas imediatas de engenharia. A trajetória da Paving Expo reflete essa virada de chave no mercado nacional. Após registrar recordes sucessivos e saltar de 19,8 mil visitantes em 2023 para mais de 31 mil, 300 marcas e

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Cobrança 100% proporcional do Free Flow deve avançar com novas concessões, diz ABCR

Da Redação Revista Modal A transição para o modelo de cobrança de pedágio sem barreiras físicas, o Free Flow, abre caminho para uma transformação ainda mais profunda nas rodovias brasileiras: a adoção de tarifas 100% proporcionais aos quilômetros efetivamente rodados pelos motoristas. Embora a mudança exija evolução regulatória e contratual, a tendência é que a tarifação por quilômetro percorrido entre em definitivo na agenda das novas concessões e nas adaptações dos contratos existentes no país, afirma Marco Aurélio Barcelos, presidente

Leia Mais »

Concessões e aluguel de frotas impulsionam mercado de máquinas da Linha Amarela

A expansão dos investimentos em concessões públicas de infraestrutura e o ritmo aquecido da mineração estão impulsionando as vendas de máquinas pesadas no Brasil, criando um cenário de resiliência para o setor de bens de capital mesmo sob o impacto de juros altos e crédito restrito. Segundo dados da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), as comercializações de equipamentos da chamada Linha Amarela — grupo que reúne escavadeiras, pás-carregadeiras e rolos compactadores — devem crescer 4% em

Leia Mais »

Paving Expo 2026 projeta 35 mil visitantes e consolida o novo ciclo de investimentos na infraestrutura viária do país

O tom do setor de infraestrutura viária no Brasil não é de triunfalismo de fachada, mas o de constatação pragmática. No epicentro da pavimentação e das concessões rodoviárias, o investimento privado e as obras públicas deixaram o terreno das promessas para se tornar demandas imediatas de engenharia. A trajetória da Paving Expo reflete essa virada de chave no mercado nacional. Após registrar recordes sucessivos e saltar de 19,8 mil visitantes em 2023 para mais de 31 mil, 300 marcas e

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Sua marca entre os principais players da logística nacional

A Revista Modal oferece espaços publicitários e oportunidades de parceria para empresas que desejam se destacar no setor.

Entre em contato e solicite nosso Mídia Kit.